Arquivo para outubro, 2009

Ai, eu quero, quero tanto…

entregando o coração

“Ai, eu quero, quero tanto
Que você me aceite do jeito que eu sou…”
Cláudio Nucci
 
 
Eu estava te procurando.
Quis te agradar, satisfazer, te completar, ser uma pessoa melhor pra você.
Neste caminho, me perdi.
Eu estava te procurando. E me encontrei.
Hoje, sou uma pessoa melhor. Pra mim.
Agora, não me perco mais. Nem mesmo por você.
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Abismo

Ele tem medo
Não demonstra
Mas age assim
Aumenta as exigências
Torna inviável, inatingível
Impossível satisfazer
 
A ferida não cicatriza
Não deixa ninguém se aproximar (de verdade)
Não deixa ninguém curá-la
Gosta de cultivá-la
É o que mantém viva a esperança
de reviver aquele amor
 
Embora nunca admita
E continue a procurar
A carne sangrando prova
Que o desejo existe
Que o melhor que ele pode ser não morreu
 
Está apenas adormecido
E não quer ser acordado
Pelo menos, não por qualquer pessoa
Somente ‘ela’ pode derreter o gelo
Esquentar o frio
Devolver o sorriso
Dividir a vida
 
Quando sente muita falta
Se agarra (procura) a pessoas
Que tenham alguma característica da que deseja
Um traço parecido
Algo que lembre, conforte
Acha que ao juntar cada pedaço
Se sentirá completo
Ou menos vazio
Mas isso só camufla, não supre
Aumenta a dor
Petrifica
Desumaniza

A estrada

 

Ela tem sido minha companheira nos últimos tempos. Ela e a música. Sempre a procuro quando quero fugir de tudo, pensar com clareza, me sentir mais leve. Nela meu pensamento viaja. Literalmente. Através dela descubro novos lugares, paisagens que confortam. Nela me sinto mais livre. Com ela tenho aprendido que sair de cena faz bem, revigora. Que eu preciso e curto momentos assim, só meus. E não é preciso nenhum planejamento antecipado ou destino traçado. Eu vou quando me dá vontade, sempre que tenho um tempo – às vezes, pouco tempo, mas basta. E não penso para onde estou indo até porque, na verdade, eu não vou… eu sempre volto.

 

Este blog ainda nem tem idade suficiente pra dizer a que veio e já estou aqui republicando um texto. Peço desculpas. Mas existe um motivo. Este foi o primeiro texto que publiquei aqui – meu xodó – e, talvez, poucas pessoas o tenham lido. A razão pra repostá-lo é por ele expressar meu momento, minhas vontades. Ele me traduz em palavras. Principalmente agora.

E assim começou o final de semana…

“Boy I hear you in my dreams
I feel you whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard
I’m lucky I’m in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again”
Lucky – Jason Mraz – Colbie Caillat

 

Sempre foram amigos. Desde pequenos. Muito próximos. Confidentes.  Conversavam sobre tudo: família, trabalho, estudos, amores. Às vezes, ficavam um longo tempo sem se verem ou se falarem mas, quando se encontravam, tudo era tão fácil, tão natural… a distância, o tempo… nada, nada conseguia diminuir aquela empatia e carinho mútuos.

O encontro aconteceu por acaso, num barzinho. Turma reunida – estavam em umas quinze ou vinte pessoas. Quando ela chegou e o viu, ficou surpresa, não sabia que ele estava na cidade. Ele se levantou rapidamente e foi ao seu encontro, sorrindo. Os dois se abraçaram. Um abraço diferente, mais apertado, por mais tempo que os normais. Os dois perceberam mas pensaram: “Bobagem minha, deve ser por causa da saudade” … Ela cumprimentou o restante da turma e eles se sentaram juntos num dos cantos da mesa – tinham muita conversa para colocar em dia.

E assim ficaram a noite toda, conversando, rindo. Nem percebiam a mesa cheia de gente. Estavam alheios a tudo o que acontecia ao redor. Um só tinha atenção pra o outro. Não viram que, aos poucos, a mesa foi se esvaziando… Só  quando o garçom perguntou se queriam mais alguma coisa da cozinha, pois já iriam encerrar os pedidos, eles notaram que eram praticamente os únicos no bar. Hora de ir embora.

Ao saírem, ele foi acompanhá-la até o carro. Caminhavam próximos um do outro e, no movimento do andar, suas mãos se tocaram. Ele então aproveitou a chance: segurou a mão dela e assim seguiram de mãos dadas. Aquele gesto mexeu com os dois. Para eles, significava muito naquele momento. Ainda ficaram conversando por um tempo, encostados no carro. Quase colados um no outro. Ele estava diferente, mais solto… mexia nos cabelos dela, acariciava o rosto. Ela gostava, correspondia, estava totalmente envolvida. A proximidade do rosto, da boca. Sentir o cheiro, o toque, a pele dele. O pouco espaço que separava aquelas duas bocas continha segredos, desejos, medos, ansiedade. Sim, os dois pensavam no beijo. O coração parecia que ia saltar do peito. A respiração ficou mais ofegante. E isso só aumentava a vontade e a excitação.

Ela nem viu como aconteceu. Ele a puxou para mais perto ainda e, enfim, suas bocas se tocaram. Primeiro suavemente. Depois, com mais intensidade, vontade. Ah… a combinação foi perfeita! Um beijo daqueles de tirar os pés do chão, esquecer do mundo. Foi o final perfeito para aquela noite. Ou será que foi apenas o início?


Outubro rosa (por Sentimental)

Outubro rosa

 

Não fique de fora dessa campanha, 
incentive as mulheres que você ama a fazerem o auto-exame

 

Para saber mais clique nos links abaixo:

Mulher consciente

Câncer de mama

Inca

Mamainfo

 

* Esta campanha foi uma bela iniciativa da minha amiga Sentimental e eu apóio.


E você, tem ou quer um jogo deste?

Em uma reunião de família, mãe e filha andam pelo salão de festas cumprimentando os parentes… tias-avós, primos de 15º grau, tios solteirões metidos a galã, entre outros…

Ao se encontrar com a sogra, Maria Luisa tenta agradá-la, puxar assunto, ser amável. A velha senhora não colabora e quase não responde. Dá atenção apenas para sua neta Bel que, inocentemente, diz:

– Vó, quer um jogo de cintura?

Maria Luisa, já imaginando a confusão, tenta interromper: “Quê isso, Bel!?! Vem aqui comigo, vamos ali falar com seu tio-avô Hermenegildo.”

– Mãe, é aquele negócio que você falou hoje com o papai. Eu quero um também. E a vó…

– Bel, você está confundindo. Deve ter visto isso na televisão. Imagina, Dona Cecília, criança tem cada ideia, né?

– Não, mãe. Foi naquela hora que você e o papai estavam conversando sobre a vó Cecília. Vó, a mamãe disse que a senhora também não tem. Vou pedir pro papai comprar um pra mim, a senhora quer um também?

 

* Em homenagem ao dia das crianças; à inocência, à simplicidade, à alegria descompromissada, às risadas soltas… e às lembranças boas que temos da nossa infância e que nos permitem, de vez em quando, voltar a ser crianças…


Amor [próprio*] para recomeçar

O vestido foi comprado especialmente para aquela noite. Valorizava ainda mais seu corpo, insinuante, sem ser vulgar. A sandália abraçava seu pezinho delicado. Cabelos soltos, levemente rebeldes. Maquiagem suave, porém marcante. O batom delimitava seus lábios grossos e os deixava ainda mais salientes. Por fora, estava pronta. Por dentro, tremia. Hoje, pela primeira vez, iria encontrá-lo desde que terminaram.

– Uau, você está maravilhosa! Estou até com ciúmes. Se ainda estivéssemos juntos, nem deixaria você sair de casa assim, tão, tão… tão linda!

Ela apenas o cumprimentou com um beijo no rosto, fingindo nem dar importância ao comentário. E seguiu.

No começo, sentiu a falta dele ao chegar sozinha à festa. Depois, ficou um pouco desconfortável quando, a cada pessoa que cumprimentava, tinha que ouvir a mesma pergunta: “Vocês terminaram? Que pena, formavam um casal tão lindo! O que aconteceu?”.

Neste dia, ela percebeu o quanto estava sentindo falta… Dele? Não. Dela mesma. E como estava feliz por ter se reencontrado. Aproveitou a festa como há tempos não fazia… dançou, bebeu, conversou, conheceu novas pessoas. Estava se sentindo livre.

Ela havia recuperado sua estima, sua confiança. Aquele sorriso largo e espontâneo de antigamente voltou a seu rosto. E o brilho em seus olhos indicava que era apenas o início… de uma nova e deliciosa fase de sua vida!

O título remete a uma música do Frejat que eu adoro – Amor pra recomeçar

* Mudei o título em homenagem à Sweet e a Luna que completaram meus pensamentos… Espero que tenhamos todos “Amor próprio pra recomeçar”… sempre!