Arquivo para novembro, 2009

Signs – ‘o dia seguinte’

Acordou diversas vezes durante a noite. Olhava o relógio. O tempo não passava. Estava agitada, curiosa, ansiosa. Já não suportava mais rolar de um lado pro outro na cama.

Levantou mais cedo. Tomou um banho bem demorado. Enxugou-se com calma, curtindo cada movimento; hidratou a pele, cuidou do cabelo. Escolheu uma roupa que nunca tinha usado, elegante, porém discreta; não queria passar a impressão errada.

Suspirou. Não estava com fome. Tomou apenas um suco de laranja, um pouco de coragem e foi trabalhar.

Não adiantava negar. O dia já tinha começado diferente.

Ligou sua música preferida no carro e foi cantando bem alto. Precisava soltar um pouco daquela tensão, relaxar. Nem reparou no trânsito. O trajeto estava perfeito, lindo.

Chegou e foi para sua sala. Abriu a persiana. Olhou, procurou um pouco. Não viu nada. Estava cedo. Quem mandou chegar tão cedo?! Foi arrumando várias coisas para fazer. Precisava manter a cabeça ocupada.

Em pouco tempo, nem precisou inventar, o telefone não parava, clientes, problemas, fornecedores, chefe… dia normal. Horas se passaram sem que ela percebesse. Quando parou um pouco, olhou pela janela. Agora, todos os quadradinhos do prédio em frente estavam ‘habitados’. Nossa, quanta gente, como vou saber quem ele é? Olhou, procurou. Até que viu alguém fazendo o mesmo. Será que é ele?

Era mais um cara de terno. Normal por ali. Não dava para ver muito. Mas algo prendeu sua atenção. “Se for ele, já gostei do sorriso… bom sinal, eu acho…”

Alguém a chamou. Reunião. Nem viu o resto da manhã passar. Mal teve tempo de voltar na sua sala. Voltou apenas para pegar a bolsa e já desceu para almoçar, com a turma de sempre. Estavam conversando, trocando ideias sobre a reunião e planos para semana. No lobby, ela passa desatenta e não percebe o cara de terno, parado, esperando alguém.

Ele, desta vez, não perderia a chance. Apressou o passo. Alcançou-a. Segurou-a pelo braço e perguntou: “Almoça comigo?”

 

(Se quer saber como esta história começou, clique aqui!)

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Via de mão dupla: olhe para os dois lados ao atravessar


Signs

Saindo do escritório, quando foi entrar no carro, ela viu um papelzinho no parabrisa. Pegou e leu:

“Assista ao curta SIGNS. Procure no Youtube. É um dos vencedores do Cannes Lions 2009.
A primeira vez que te vi foi como no vídeo. Consigo te ver pela janela do meu escritório. Durante algum tempo, fiquei só te observando. Até que assisti este vídeo.  Tomei coragem e fui até o prédio no qual você trabalha. Te vi de perto. E, desde aquele dia, não te tiro da cabeça. Fecho os olhos e posso ver o desenho da sua boca, lembro do seu sorriso. Você não me viu. Por isso deixo este bilhete para você. Amanhã, quando chegar no escritório, olhe pela janela. Estou a uns dois andares acima de você, no prédio em frente. Estarei te esperando. – P.s.: você sumiu nas últimas semanas, senti sua falta.”

Ela olhou pros lados com medo de ser uma pegadinha dos amigos, não viu ninguém.

Ainda não sabe se é brincadeira ou verdade. Mas a curiosidade falou mais alto e procurou o vídeo (clique aqui para assistir). Ficou encantada. É apaixonante. Está ansiosa, instigada, querendo saber mais… nunca a vi tão animada para ir trabalhar… amanhã, vai até chegar mais cedo…


Indignação

 

Manipulação, dominação, controle. De pessoas ou situações. Por maldade, insegurança, inveja.

Jogo de poder, mentira, trapaça.

Aproveitar-se do sentimento bom que uma pessoa nutre pela outra. Usar a culpa com a qual ela não consegue lidar, como arma.

Repressão não só física, mas também mental. Humilhação.

Golpe de Estado. Golpe da barriga. Engodo. Não foi engano. Havia intenção de conseguir alguém ou algo, misturando sentimentos, transformando pessoas em coisas sem valor, mercadorias, moeda de troca.

Jogo com a vida alheia. Como se lhe pertencesse. Como se certo fosse.

Chantagem. Abuso. Trauma.

Duas vidas que se unem por uma fraude. Entrelaçadas. Misturadas. Ficção. Nunca houve a realidade, a cara limpa, a coragem.

Uma vida que começa no meio do furacão. Inocente. Desavisada. Maltratos. Indiferença. Consequências.

 

::: Desculpem o desabafo. Algumas situações e atitudes me revoltam :::


Vem?

ABRAO1~1

Hoje eu queria um abraço. Um aconhego. Um conforto.

Hoje eu queria um amigo. Queria você aqui comigo.

Preciso de você. Quero te contar. É… sobre isso mesmo. Acredita? Pois é. Aconteceu assim.

Quero seu puxão de orelha, sua risada cúmplice. Você me entende. E, se olhar nos meus olhos, saberá o que sinto. E não vai me condenar. Vai me ouvir. Me aconselhar. Me encorajar. Ou não. Não importa. E você sabe.

Um abraço amigo. Não importa a cor. Um amigo – você – é só o que quero. Eu te quero perto.

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Amor despedaçado

O começo foi agitado, intenso. O perigo excitava. Por ser proibido e secreto instigava a imaginação e os sentidos. Era um caso? Um affair? Definitivamente, uma aventura, uma loucura. E, naquele momento, os dois queriam a adrenalina. 

Becos escuros, ruas desertas
Sombras, sussurros, noites e frestas
Frio na espinha, beijos roubados
Sexo e vertigem, amor e pecado

Mas a surpresa de ontem, hoje é corriqueira. Normal. Repetições. Menos surpresas. Rotina. Envolvimento. Sentimentos expostos e compartilhados. Desejos revelados. Vontades que mudam. Expectativas.

Tudo o que um dia
Já foi um motivo
Pra tanto mistério e prazer
Apodreceu o nosso fruto proibido
E eu vim aqui hoje só pra dizer

Apodreceu? Cansou? É preciso mais? Pedir, seria cobrar? Se impor, seria colocar contra a parede? Como dizer? O que falar?

Eu quero te olhar
De um lugar diferente
Eu quero a chave
A chave da porta da frente
Eu quero agora
E eu quero pra sempre

Pronto. Mais claro, impossível. Disse o que queria. O que esperava. Isso não implica perder ou tolher a liberdade, o romance, a paixão, o desejo. Signfica agregar. Compartilhar. Assumir. Ter intimidade. Mas porque o sumiço? Porque a falta de resposta? O que causou a mudança de atitude? Chamadas não atendidas, sem retorno.

Restos e sobras, porta dos fundos
Senhas secretas, sonhos ocultos
Fugas, mentiras, culpas e falhas
Muita espera pra pouca migalha

A ausência e a fuga são as respostas. Resto, sobras não são mais suficientes. Esperou, teve paciência. Não perdeu o controle, nem a razão. Não maltratou. Não mudou. Continuou da mesma maneira. Firme. Forte. Sabendo o que queria. E não era isso. Definitivamente, não era.

 

* “A chave da porta da frente” – Frejat e Leoni


A aula

 

“Vem aqui, eu te ensino. Chega mais perto.”

Ele a puxou pela cintura. Seus corpos se encontraram. Ficaram colados. Se encaixaram.

A música começa. Ritmo quente, animado.

“Não sei dançar. Não tenho jeito para estas coisas.”

“Tem sim. Posso sentir. Feche os olhos. Deixa eu te levar. Confie. Sinta meu corpo junto ao seu. Acompanhe o ritmo.”

Ela não resitiu. Fechou os olhos, se soltou. Entrou na dança. Em pouco tempo, eram um só. A combinação perfeita. Ajuste na medida.

Será que ele percebeu que meu corpo está arrepiado? Que estou inebriada com o perfume dele? Tá, não é com o perfume, é com o cheiro dele mesmo…”

Ele deslizava a mão em suas costas. Como se quisesse conhecer cada pedaço. Rostos colados. A respiração de ambos ficou ofegante, pela dança, pela excitação… Corpos suados em ebulição.

A música parou. Mas eles não. Continuaram dançando, num compasso próprio. Como se fizessem amor. Ali mesmo, no centro do salão.

Hoje, estou também no Céu falando sobre “Toda Possibilidade”. Te espero !!!!