Arquivo para janeiro, 2010

Entende isso?

(…)

Eu não quero que ninguém morra ou sofra por mim

Se quiser viver por mim, também não vou gostar, acho meio esquisito

Mas, pelo menos, é vida

e não morte

Entende isso?

(…)

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Eu tive um sonho…

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Sou otimista. Por mais que o limite entre o sonho e a realidade seja, às vezes, ultrapassado, gosto de me sentir assim.  Procuro o melhor em cada pessoa, em cada ato, em cada notícia.

Ao ler os jornais ou ligar a TV fica difícil encontrar boas manchetes. Podemos ir do Céu ao Inferno em segundos. O que deveria subir, cai; e o que deveria cair, sobe. Parece uma constante Lei de Murphy. Mas vai além. Sangue. Violência. Catástrofes. Maus exemplos. Roubo. Indiferença. Ufa! Como conseguir ver além desta nuvem negra que paira sobre alguns lugares/pessoas?

Soprando-a para bem longe. Enfrentando a tempestade que vier. Saindo às ruas. Lutando.

Eu acredito. Confio. E isso me move.

Como vejo o mundo daqui a 10 anos? Não o vejo como um conto de fadas. Sim, sei que ainda haverá problemas, desafios… alguns, até piores. Mas, se eu não acreditar que algo de bom possa acontecer, estarei ‘entregando os pontos’, comprometendo meu futuro.

Sobre o futuro, eu tive um sonho… vou te contar aqui

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Ponto pra você; final pra mim

 

Já disse aqui algumas vezes que sou teimosa.

[Teimoso: aquele que é dado a teimar; obstinado; pertinaz. – Teimar: insistir, obstinar-se. – Pertinaz: persistente. – fonte: Dicionário Aurélio.]

Mas tudo tem um limite. Ou, pelo menos, deveria ter. Eu sei que tenho o meu. E, às vezes, insisto; mesmo sabendo que já estou além. Para ter certeza que fiz o melhor. Que tentei. Que não me entreguei diante da primeira dificuldade. Da segunda, da terceira… da décima.

Mas, até os mais cabeças-duras, um dia, cansam. Percebem que estão se debatendo em vão. Acham que estão lutando por ‘algo ou alguém’ quando, na verdade, estão sozinhos porque ‘algo ou alguém’ está remando em sentido contrário.

Até eu, que sou mais boba, sei disso. E, por mais que me entristeça, preciso reconhecer quando a hora chega. [Sim, eu fui até o fim…]

Poucos conseguem abalar minha esperança, minha fé. É como um terremoto. Algo se quebra. Mas sei que há muitas coisas e pessoas pelas quais vale apena lutar e, por elas, ainda acredito nas reticências…

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“…Não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim…”

Até o fim – Engenheiros do Hawaí


Presente (meu para você e seu para mim)

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Ele faz aniversário num dia que sempre foi especial pra ela (mesmo antes de se conhecerem). Essa ‘coincidência’ marcou a história deles, desde o primeiro encontro, anos atrás…

Os dois ficaram muito amigos. De forma intensa e rápida. Ele era seu confidente. Ela, seu porto seguro. Não havia assunto proibido, nem meias palavras. Conheceram-se de forma atípica, peculiar. Moravam longe. Mas a distância nunca diminuiu o carinho. Por mais tempo que ficassem sem se ver, quando se encontravam, a amizade ainda estava ali, forte, presente.

Ela sempre fez questão de parabenizá-lo as 00:01 hs. Ambos esperavam ansiosamente por isso. Tornou-se uma coisa especial, um ritual que, a cada ano, os unia um pouco mais.

Sem muita explicação, ele sumiu por um longo tempo. Ela o procurava, mas só recebia respostas vagas, desconexas. Depois, nem isso. As tentativas não surtiam efeito. Apesar disso, ela manteve aquele hábito. Mas começou a sentir que falava sozinha. Nunca mais teve notícias.

Este ano, como em todos, naquele horário, ela se lembrou e teve o impulso de mandar uma mensagem. Mas desistiu. Talvez aquele número nem fosse mais dele.

O dia seguiu normalmente até que, por volta da hora do almoço, seu telefone toca. Quando ela olha no visor, era aquele número… será que é ele?, pensou. Ela não conseguia acreditar, nem entender. Atendeu rapidamente e, antes que a pessoa do outro lado da linha tivesse a chance de dizer algo, ela arriscou: “… acho que os papéis estão invertidos… no dia do seu aniversário eu que recebo a ligação?”

“Você ainda se lembra? Por isso que te amo tanto. Sim. E não quero que me dê os parabéns por telefone. Queria passar meu aniversário com você. Tudo que quero de presente é seu sorriso, seu abraço, sua companhia. Topa?”

“Como assim?”

“Estou aqui. Acabei de chegar ao aeroporto. Hoje, quando não recebi sua mensagem, percebi o quanto me fazia falta. E o quanto tenho sido displicente. Desculpa? Aceita meu convite?”

“Claro!”

Já disse que te amo? […] Pois fique sabendo que, agora, amo ainda mais.

(…)

“Já sei até o que podemos fazer […] sim… lembra daquele dia? Podemos almoçar lá, o que acha? […] Perfeito! Estou indo te buscar…”


Encontros, desencontros, reencontros… descobertas, expectativas, surpresas, frustrações… Seja como for, a amizade é uma das melhores coisas da vida… e não poderia haver momento mais perfeito do que este para falar sobre ela… aqui no Céu


Vácuo

 

Não havia explicação. Era estranha e mais incômoda que o normal.

Veio de repente, sem avisar. Ela não sabia de onde aquela dor surgia.

Aperto no peito, sensação de sufoco. Vazio.

O que está acontecendo comigo?

Passou noites em claro. As lágrimas corriam soltas e ela deixava. Precisava colocar aquele sentimento pra fora. Seja lá qual fosse.

Só o tempo, eu sei, eu sei. Mas porque, quando queremos agilidade, ele anda tão devagar?!

Ela sabia. Mas, naquele momento, isso não a consolava.

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[Os buracos negros, assim como outros objetos cuja atração gravitacional é extrema, retardam o tempo significativamente]

Bem alto…

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Descobri que existem várias formas de amor e aprendi a não compará-las. Não há medidas. Não há regras, nem padrões. O amor pode se manifestar ou aparecer nos lugares mais inusitados. Basta sentir e deixar que ele nos invada.

Minhas primas-irmãs e minhas amigas-irmãs estão, aos poucos, voltando de viagem… quanta alegria poder matar as saudades de cada uma, saber das histórias, compartilhar…;

Tem o amor na música… sim… ela tocou e eu sorri…;

Num reencontro… com um amigo que não via há muito tempo… recebi todo seu amor num abraço bem apertado;

Num convite inesperado para um almoço… delícia, adoro ser surpreendida… e surpreender também;

Em uma deliciosa ‘coincidência’ musical pelo msn;

Num “oi, quero saber como você está…” ou “se precisar, estou aqui…” – recebi tanto amor de minhas amigas que meu dia explodiu em cores;

Num arco-iris [sim, o nosso] construído entre muitas risadas;

Em ouvir… “só sei que não quero ficar longe de você”…;

No sábado, acordei com o telefone tocando. Eram meus pais, com saudades… pulei da cama e fui almoçar com eles…;

Ontem, recebi um beijo que me encheu de alegria… e o autor nem conseguia me alcançar direito, ainda é um tiquinho de gente;

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Hoje, acordei mais feliz porque, com cada um deles, aprendi a voar…

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… e lá no Céu, outra pessoa se lembrou de como é bom poder voar …

E é isso que eu quero em 2010: mais simplicidade, aproveitar os momentos e continuar voando…

[respondendo ao lindo post da U&E]

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Nem a luz lhe consegue escapar

 

Algumas pessoas passam em nossa vida como estrelas cadentes, numa velocidade alucinante mas, mesmo assim, fazem a diferença.

Nossos olhos ficam fixos no céu. Nem piscamos para não perder um só segundo. Fazemos o pedido, tudo direitinho, desejando que ela fique, que não se vá.

Mas não adianta. Só nos resta vê-la indo embora lá longe… e ficar apenas com as lembranças que, com um pouco da magia que restou, nos iluminam de vez em quando; através do sorriso que surge solto, leve, renovando a certeza de que foi verdade, enquanto durou.

Mas a estrela, pela sua cadência, sabia do fim e se preparou. Dizem que, quando uma estrela morre, pode virar um buraco negro. E, quando isso acontece, tudo muda. Fica quase impossível reconhecer aquele brilho que um dia nos encantou.

Em sua nova forma, ele diz a que veio. Precisa apagar todos os traços e lembranças de sua antiga existência. A magia se dissipa, vira pó. Nem a luz lhe consegue escapar.

 

“I’m never speaking up again
It only hurts me
I’d rather be a mystery”
My stupid mouth – John Mayer