Arquivo para abril, 2010

Entre ‘singulares’, plural

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Por você, a cama ficaria desarrumada o dia todo. Eu fazia menção de levantar, você não deixava. Lá fora, cores mudavam. Aqui, a dos teus olhos, do teu cabelo, da tua pele, da tua boca. Cor com sabor, com cheiro.

[gosto das nossas cores misturadas]

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…..Confissões ásperas. Lábios macios. Todos os sentidos, sedentos.
…….Sensualidade carmim criada na preguiça dos corpos, quentes.
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Contava segredos, sonhos, devaneios… logo depois, atônita, sem graça eu tentava desviar o olhar. Você me puxava, me pegava, me trazia de volta. Queria que eu te dissesse cada desejo, assim, olhando nos seus olhos. Quer? Eu corava. Você me beijava.

…..Você embarca nas minhas loucuras e eu, nas suas; experimentamos sabores, texturas…

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…..Boca seca, respiração compassada, a busca… a busca…
………..[fiquei com água na boca, ao imaginar]
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………………………………………[sempre fugi da vulnerabilidade mas, com você, gosto de estar assim… exposta, inteira… nua… sua…]

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Entre malícias, curiosidade. Entre olhares, cumplicidade. Entre medos, confiança.
Entre nós, só eu e você.
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Deixa? Eu mordiscava os lábios e fazia um sinal com a cabeça, dizendo que sim. A mistura de hesitação, receio, coragem e vontade nos inflamava. Nesse nosso mundo, podíamos, podemos, nos permitimos… tudo.

[prefiro os pecados que criamos, juntos]

Com a ponta dos dedos, começava a desvendar meu corpo. Toque aveludado. Arrepios. Meus olhos te fitavam sorrindo; você sabia. E explorava, cada canto, cada cicatriz, cada curva.

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…..Você conduzia e eu deixava. Mais. Eu gostava. Mais. Eu queria. Mais. Eu quero.

Agora?

[… e isso… hum… dá saudade daquilo…]

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Entre turbilhões, recortes rendados

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Novidade … Entusiasmo … Envolvimento … Conquista … Fantasias. Entre emails, timelines, perguntas, DMs, comentários, textos, menções, alfinetadas e homenagens… expectativas, desejos, recados, provocações.

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…………….. Gula ………….. Inveja …………………………………………. Obsessão

……………………………………………………………Curiosidade?

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Qual a medida?

Falta bom senso, amor próprio. Limites são ultrapassados por pessoas, talvez, cansadas do marasmo da própria vida; ou que, talvez, gostem da ILUSÃO de viver a do outro.

Por quê? Pra quê?

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……………………………………………………..Elos……………………………Ciclos……………………………………………………………… Coincidências…

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malditos elos

BENDITOS ELOS

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Nesse emaranhado de vontades, eu me fechei. Ouvi. Aconselhei. Preocupei-me com os outros. Preservei.

Informações desconexas completavam-se, aqui. Tudo se acumulava, dentro de mim. Ouvia sussurros, gritos, suspiros. Dos dois, três ou quatro lados. Quem equilibraria o quadrado? Ele estava a girar, com as hastes em chamas. As interseções aumentavam… Oito, Nove… mais pontas surgiam na geometria já desfigurada. Ligações. Mensagens. O infinito não seria particular.

Alguns se aproximavam por empatia. Outros por interesse. Um ato de confiar era sincero. O outro uma armadilha. Entre segredos, caixas, janelas, cidades e gavetas; gostos, texturas e sabores se perderam. Eu me perdi. Cópias fajutas. Frases feitas. Insegurança. Descobertas. Enlouqueci.

Reações adversas. Contestações. Julgamentos. [Como me explicar sem expor o outro?]

Um movimento, um corte. Mais uma cicatriz . Eu, que sempre me orgulhei de ser uma colcha retalhos senti, pela primeira vez, que estava mal costurada.

As arestas proeminentes esgarçavam minha pele.

Deitada sobre os cacos, sangrei.

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…………..Gritei.

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………………………………..Cansei.

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Parei de fugir, cedi aos impulsos. Aos meus impulsos.

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Se novos elos surgirão ou se haverá [re]construção, eu não sei dizer.

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Para alguns falta coragem, falta realidade, falta vida.  Deles sinto dó.

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Eu me reinvento. Entrego-me. Inteira.

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Sirene

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Menina da cidade grande, no auge da sua candura experiente e descolada, era ‘novidade’ para os meninos do interior. Sempre tinha pretendentes e, às vezes, mais de um namorado, ao mesmo tempo.

Nesse dia, sua avó pediu que mudasse a plaquinha do jazigo da família e ela prometeu que o faria. Mas, entre um ‘amasso’ e outro, fugindo de confusões e flagras, lembrou-se de passar na serralheria só no final do dia.

Não sabia que cemitérios de cidade pequena ‘fecham’ cedo e entrou, sem se preocupar. Depois de cumprir a promessa, foi visitar o túmulo de um antigo namorado. Não sabe por quanto tempo ficou, ali, deixando-se invadir pelas lembranças dos momentos tórridos que passaram juntos.

Anoiteceu sem que ela percebesse.

Estranhou a falta de iluminação e da Lua. Aos ‘trancos e barrancos’, perdendo-se entre flores de plásticos e fotos 3×4, tropeçando em jardineiras improvisadas, sendo arranhada pela ponta dos crucifixos e quinas das sepulturas, encontrou a saída. Forçou a porta e nada. Gritou e nada. Esperou e nada.

Até que viu, ao lado, atrás de uma planta amarelada, um botãozinho vermelho. Apertou.

Uma sirene ensurdecedora foi disparada. Em questão de segundos, todos os moradores estavam, do lado de fora, fofocando, aguardando o desfecho e fazendo apostas.

E, de repente, sai ela. A doce ‘menininha’. Corada. Vestido rasgado. Joelhos e palma das mãos esfolados. Cortes pelo corpo. Risadinha de canto. E sozinha.

Beatas rezavam. O padre a benzia. E todos especulavam.

‘Cadê o moço?’ ‘Ela deve ter matado o coitado por uso excessivo e enterrado aí.’ ‘Dizem que é tarada, insaciável.’ ‘Ela não é a namorada do filho da Dirce?’ ‘Não, ela namora o filho do Sr. Ernesto.’

Os namorados não quiseram explicação. Um até aceitava o outro. E, talvez, aceitariam o fato de ela fornicar, com um terceiro, no cemitério. Mas a cidade inteira estar ciente e comentando era inadmissível. Podiam dividi-la, desde que apenas os envolvidos soubessem. Ser motivo de chacota era, para eles, a parte mais dolorosa e, para isso, não havia perdão.

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[*Inspirado em uma twittada despretensiosa de um amigo. Sinapses alteradas. Obrigada!]

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Últimas coisas

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Foi estranho. O fim estava superado. Brigas, desejos, recaídas, dúvidas eram coisa do passado. E ele era distante. Minha vida, assim como a sua, tinha seguido em frente.

Não havia mais dor. Nem rancor. Nem indiferença. Nem ódio. Nem saudade. Nem amor. Apenas carinho. Pelos momentos bons que vivemos. Por você ter sido importante na minha vida.  [sim, eu sei que isso é algo que nunca perderemos]

Naquele dia, você me ligou. Pediu para ir lá em casa. Queria conversar e pegar algumas coisas que, há tempos, estavam guardadas, te esperando.

Você chegou, entrou. Cordialmente, nos cumprimentamos. Interesse de um pelo bem estar do outro. Assuntos soltos. Amenidades.

Fotos. Cds. Vídeos. Cartas. Histórias. Os dois sentiram. Foi difícil remexer, relembrar, reviver, rever tudo aquilo.

Arrependimento? Não. Vontade de voltar? Não. Mas algo pulsava, gritava, rasgava.

Vi que, quando disse que precisava ir, seus olhos estavam cheios d’água. Não sei de onde tirei forças. As que tinha, passei para você. Você pediu, pela última vez, colo e eu te dei. No meu abraço, nosso último ‘aconchego’. Ficamos, ali, em silêncio, não sei por quanto tempo.

Contive as lágrimas. Eu precisava, naquela hora, estar ali, firme, para você. Como fiz quando te disse que havia acabado.

Você relutou. Eu decidi. Sabíamos que era o melhor a fazer. Mas fui eu quem teve que tomar a atitude.

Você saiu. Eu fiquei.

E, ao ver as caixas reviradas, não consegui mais me conter. Chorei. Doeu.

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‘Não importa quem esteja na minha vida ou venha, um dia, dela fazer parte. O que tivemos não desaparece. Ficou gravado, grudado em mim. É a lembrança mais doce que tenho. É o que me faz seguir, acreditar e ter esperanças. Contigo aprendi a ser uma pessoa melhor. Você me ensinou a cuidar, a cultivar e celebrar o amor. Conte comigo, em qualquer fase da sua vida. Você sempre será a minha Linda…’

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Para mim também não foi fácil. Mas eu não podia deixar transparecer. Obrigada, por tudo. E, da mesma forma, estarei, sempre aqui, para você.

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[esse texto estava guardado, nos rascunhos. hoje, resolvi publicá-lo. você sabe porquê. e só você entende o motivo de ele ser minha homenagem à você. é todo teu.]

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O cisne dorme e a borboleta é, sim, azul.

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…………………………………………………………………………………………………………… Você me viu sorrindo

……………………………………………………………………………………………………………………………….. Você me viu chorar

…………………………………………………………………………………………. Você me viu chorar sorrindo

………………………………………………….Você me viu!

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……………Eu não te conheço
……………mas eu sei você
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……………No vai e vem dos elos
……………dos medos
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……………e das coincidências
……………que não existem
……………mas estão aqui e ali
……………………………………………………destino!
……………pra quê explicar?
……………………………………………………eu quero entender

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………………………………………………………………………………………………….“Descobertas, vontades, quedas, tropeços.
…………………………………………………………………………………………………….Certo, errado, tudo, nada, sempre, nunca,
……………………………………………………………………………………………………………………………..recomeços.
…………………………………………………………………………………………………..Entende, conhece, reconhece, compreende,
…………………………………………………………………………………………………………………………..[re]compreende.
……………………………………………………………………………………………………..Chora, baixo; ri, alto; rola, nas estrelas,
…………………………………………………………………………………………………………………………….cadentes….
………………………………………………………………………………………………………..As coisas tomam formas, sorrisos,
……………………………………………………………………………………………………………..As coisas tomam formas, cabelos,
………………………………………………………………………………………………………Contos, pelos cantos; explico!; precisa?
………………………………………………………………………………………………………….Eu confesso, eu me emociono, eu confio
……………………………………………………………………………………………………Com vocês, crio histórias para “não” serem
…………………………………………………………………………………………………………………………..contadas [?]
………………………………………………………………………………………………………… [duvido] [divido] só com e para vocês” *

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É uma intimidade entre estranhos?

Identificação

…………………. com vinho, cerveja, espumante

…………………. música

…………………. bichos?

…………………………. Sentimentos

Ideias

………. arranhadas

……………………………………………… rasgados

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Quantos furos na orelha

e mergulhos no mar?

Com ou sem mordidas? Com!

Whisky.

Out? Back!

Venda. Faxineira.

Ela viu? Sim! Ouch!

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Eu pensei

e você disse

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Mas apenas eu chorei

e, até chorando, eu sorrio

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[cadê o anjinho? uso indevido!]

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♫♪♫

– Você toca?! Eu canto! [1]

– Você canta?! Não sabia! [2]

– E você? [3]

– Eu? Acrílico e Lego. Com zoom. E eu caio. [2]

– Eu mordo. [1]

– Eu não me lembro. [3]

♫♪♫

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[no zoo, é mais difícil; eu corri, não enquadrei!]

De cabeça para baixo?

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Não! No centro!

De onde? Do Sul!

Hemisfério?

Com os nicks!

Eu, sem.

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……………………………………………………………………………………………………………… “keep smiling, keep shining…”
……….……………………………………………………………………………. sem saber, sem combinarmos, estávamos ouvindo-a, ……………………………………………………………………………………………………………….de novo, quase ao mesmo tempo…
………………………………………………………………………………………………………………..[do ‘quase’, temos tudo … chills!]

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[lá fora, eles me chamam; não entendem e questionam porque vim, porque precisava tanto escrever ~ simplesmente, por ter os pensamentos borbulhando, confusos e misturados, aqui dentro… agora, pronto… posso voltar para a realidade que grita e que eu quero descobrir, sentir, experimentar…]

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:: Texto elaborado à seis mãos; eram três mentes, devaneando… e a obra-prima do post*, foi uma participação mais que especial; não só em pensamentos, mas na forma escrita, literal e sentida. ::

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Páscoa

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Domingo de Páscoa, ainda é madrugada. O celular tocando me assusta. Olho o visor, mas não acredito no que vejo. Deve ser sonho. Volto a dormir. O toque recomeça. Insiste. E o número não mente, é você.

Atendo, meio sonolenta.

– Te acordei?

– Urum… mas não tem problema. Tudo bem?

– Sim, tudo. Queria saber se você volta hoje, para o almoço de páscoa com seus pais…

– Sim. Volto sim.

– Posso ir com você?

– […]

– Estou com saudades desses almoços… deles também… e quero ficar mais perto… tivemos tão pouco tempo…

– Tem certeza? Mas e os seus pais? Você veio para ficar com eles, e …

– Eles entenderam… inclusive, me incentivaram a ir contigo… Há muitos anos, não passamos um domingo, assim, como fazíamos… e a viagem juntos… já pensou? Não sente falta?

– […]

– E, então, topa? Vai, liga pra sua mãe… tenho certeza que ela deixa…

– Mas…

– Eu prometo. Como bons amigos. E só.

[…]

– Mãe?

[…]

E assim, passamos um domingo delicioso juntos. Como há tempos não fazíamos. Lembranças. Risadas. Histórias [velhas e novas].

Na viagem, a surpresa do CD. Você o guardou. E as músicas que eu julgava perdidas, pelo caminho, ainda estavam, em mim, grudadas.

Nossa tradicional parada. Cheiros. Sabores.

Recomeço. Como eu nunca imaginava que aconteceria… ou que seria possível… Confessei a você que gostei, mas que minha cabeça estava longe. Você entendeu e respeitou. E, como sempre, nos divertimos juntos! [como só eu e você sabemos fazer…]

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::: A conversa sobre ovelhas, carneiros, cordeiros e bodes não vai virar post… mas não vamos mais esquecer… E, como prometi, não corri [muito] na volta; respeitando meus limites, os do vinho e os da chuva… :::

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