Arquivo para outubro, 2010

Aprendiz

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– Abusada!

– Sou mesmo! E você gosta.

– Gosto muito. Ainda mais com essa mistura da carinha inocente de menina com a malícia safada de mulher.

– E essa sua mordidinha no lábio, então… me enlouquece… ai…

– … eu sei … você quer, né? fala de novo, fala!

– isso … só falta você se entregar, de verdade. Totalmente. Indefesa, despudorada. Todinha minha. Assim… excitada, manhosa… provocante, levada… mas inteira. Inteirinha, só pra mim.

– Hum… sei bem o que e como você quer.

– Sabe é?

– … sabe!

– E você, o que quer?

– Eu posso?

– Não pergunta!

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Sob meu olhar

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Ganhei esse lindo presente do poeta Carlos Ventura. Carlos, muito obrigada!

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“…Vagueias por entre as palavras inexplicáveis, frases incompreensíveis.
Pois a ti foi dado o dom do mistério.
Ouro da mina,
Mulher,
Menina.
Pois a Primavera é muito mais que uma simples estação do ano, ela representa você que em muitas estações se transforma.
Bela,
Ninfa,
Esfinge,
Misteriosa.
Verso e Prosa.
Mares,
Marés.
Que nas suas cheias inspira,
Nas vazantes acolhe e expõe seus arrecifes,
Fortaleza que protege seus mananciais e demarca suas profundezas.
Rio perene, qua sacia a minha sede de poeta e inunda outros corações.
Fonte de viva água,
Alfa e Ômega.
Supra-sumo da criação.
Mito e luz…”

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“Sob o Meu Olhar”, by Carlos Ventura


Cantarolando lembranças

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Pensei ter esquecido como é bom ir a um show com você. A emoção pueril. A agitação da véspera. O desejo de estar lá. Entusiasmo. Brilho nos olhos. A chegada. Entrar correndo, de mãos dadas.

Sensações e sentidos aguçados.

As luzes se apagam. Sinto o corpo arrepiar. Você me abraça, encaixa seu queixo no meu ombro, suas mãos envolvem minha cintura. O show começa. Enlouquecidos, dançamos, pulamos, gritamos, cantamos. Juntos.

Éramos só você e eu. Como sempre.

Só nós dois, naquele estádio imenso. Sua respiração quente na minha nuca. Como nunca.

“Somos apenas amigos”, “Somos apenas amigos”… eu repetia sem parar… Até a hora do beijo.

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Off on your way, hit the open road
There is magic at your fingers
For the spirit ever lingers
Undemanding contact in your happy solitude
[The Spirit Of Radio – Rush]

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I don’t have faith in faith
I don’t believe in belief
You can call me faithless
I still cling to hope
And I believe in love
And that’s faith enough for me
[Faithless – Rush]

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Certeza doída

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Eu tinha medo de admitir que sentia medo. De admitir que o medo me prendia. A você. A nós. Se ainda havia amor? Sim. O de bem querer. E eu queria o amor de amar. Como se fosse pecado, não me permitia perceber. A falta que me alertava era a mesma que me paralisava. E se eu te perdesse? E se a falta aumentasse?

Mas e se a falta – de atitude – acabasse matando a gente?

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De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado

[De todas as maneiras – Chico]

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Sim, eu te amei de todas as formas. Hoje ainda amo, é um amor diferente. E, por amar, por amor, sabia que merecíamos mais. Que podíamos mais. Nossa história? Não, ela não morreu. Ela é parte de mim. De você. Da gente. E, para não nos perdemos, foi preciso partir. Hoje sei que seremos eu e você, pra sempre, leais a nós mesmos e a vida que tivemos juntos.

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Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente…
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

[Todo o sentimento – Chico]

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A certeza, por ser doída, às vezes, faz-se dúvida. Confunde os sentimentos. Mesmo sabendo que nem tudo se separa, que nem tudo se foi, a gente sangra. Para não manchar as lembranças felizes, a falta faz-se partida. E deixa uma outra certeza não menos doída: a do amor.

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[Eu te amo – Chico]

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