Aquelas fotos trazem de volta os sentidos que eu perdi

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Começou a chover. Nenhuma alternativa seria boa. Você não deveria estar aqui. É bom conseguirmos continuar amigos, mas não tão próximos. Não quando ainda existe o lance de pele.

Veio-me a lembrança da última vez que chegamos juntos em casa. E de tudo que fizemos, juntos. Eu não queria, mas você insistiu que eu fosse dormir, afinal já estava tarde e você estava com sono. Você e não eu. Você achava que deveríamos fazer tudo na mesma hora. Grudados. Ter as mesmas vontades. Como se saciedade e desejo tivessem um padrão universal pré-estabelecido. Eu já nem discutia mais. Naquele dia, você reclamou que eu interagi demais na festa. Nos outros, que eu sorria demais. Queria que eu fosse previsível, impassível e, de preferência, imóvel. Depois de tanto tentar explicar e me manter inteira, eu cansei. Pedi ajuda. Você continuou criticando, tentando me anular. Queria pensar e decidir por mim. Queria que eu fosse metade. Uma metade para você usar e completar o seu vazio. Seu exercício preferido era colocar palavras na minha boca. Você manipulou. Por me conhecer, jogava com meus pontos fracos. E eu deixei, o pior é isso. Não existem culpados, nem vítimas. Houve permissões demais.

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“O tempo passou pra nós dois… O amor de antes fica pra depois… o sentimento cai da cama…”

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24 Respostas

  1. É incrível o poder que as imagens têm, de nos teletransportar no tempo, e nos fazer reviver com imensa intensidade, cada momento registrado.

    E cada momento traz consigo as lembranças dos intervalos entre uma foto e outra, nem sempre preenchidos com os sorrisos que as fotos costumam ostentar.

    Amar nunca foi, [nem nunca será] anular o outro. Amar é simplesmente permitir que o outro seja, com seus próprios defeitos e qualidades e, ainda assim, respeitar, compreender e sentir.

    Love.

    Miss

    10/12/2010 às 11:07

    • Menina Misteriosa

      Amar o outro e não pelo outro. Parece simples. Mas há mais confusão do que deveria.

      Beijo, Miss. E obrigada, por tudo!

      03/01/2011 às 13:56

  2. Raquel...

    Olá, menina.

    Ter consciência da permissividade nos tira parcialmente da condição de vítimas. Vítimas deles, mas não de nós mesmas. Encontrar um equílibrio entre o permitir e o olhar só pra si parece ajudar no crescimento, mas ô trem difícil, não é mesmo???

    Ah, uma pergunta retórica… diante de textos tão reveladores, onde está o quê de misteriosa?

    Prazer em conhecer o seu blog,

    Raquel.

    10/12/2010 às 11:08

    • Menina Misteriosa

      Raquel,
      O papel de vítima, para muitos é cômodo. Jogar a culpa no outro mascara a nossa própria. E não só culpa, a permissão.
      Seja bem-vinda!
      Beijo

      03/01/2011 às 13:57

  3. Noh

    Mas so aprendemos a não permitir quando passamos pelos excessos.

    Que bom que tudo passa não é mesmo?

    Beijos

    10/12/2010 às 11:11

    • Menina Misteriosa

      Se saber só na teoria funcionasse, que graça teria?

      Beijo

      03/01/2011 às 13:58

  4. revi uma fase triste da minha história nesta sua “fotografia”.
    você tem razão quando diz que muitas vezes a gente se permite demais.
    triste isso.

    10/12/2010 às 12:58

    • Menina Misteriosa

      Mariah,
      Triste, mas libertador. Entender ou perceber é o começo pra mudar.
      Beijo

      03/01/2011 às 13:59

  5. Menina, que saudades, flor!

    Quando não existem culpados nem vítimas, o jeito é olhar o lado bom da situação, senão houver lado bom, que pelo menos, estas permissões nos sirvam de aprendizado.

    *Eu levei um bom tempo pra aprender a dizer NÃO.

    Bjs!!!!

    =)

    10/12/2010 às 16:39

    • Menina Misteriosa

      Danni,
      Aprendi que o fim não apaga o que foi bom. Mas o que foi bom não é suficiente pra evitar o fim.

      Saudades!
      Beijo

      03/01/2011 às 14:15

  6. Perfeito!

    10/12/2010 às 17:40

    • Menina Misteriosa

      Você não vale, Paulo! =)

      03/01/2011 às 14:17

  7. Exposição de fatos e contra fatos não há argumentos.

    Ter a consciência de que permitimos que coisas assim aconteçam conosco é libertador porque se deixamos começar é certeza que temos força para fazer parar, para exigir que termine. Problema é quando olhamos ao redor e pensamos : “Como cheguei até aqui?”.

    Adorei o texto, forte, lúcido.

    Te amo, irmãzinha, e admiro teu talento para traduzir sentimentos em letras.

    Um beijo.

    ℓυηα

    10/12/2010 às 22:25

    • Menina Misteriosa

      Lu,
      admitir o erro é fogo. eu que o diga. mas, depois, a gente percebe que é bem melhor que mantê-lo.

      Love!

      03/01/2011 às 14:21

  8. as coisas só acontecem qndo a gente permite, é fato.
    bjs

    11/12/2010 às 04:23

    • Menina Misteriosa

      Mas, na hora, a gente nem percebe, né? Ou não quer perceber?
      Ah… sei lá… rs
      Beijo, S.!

      03/01/2011 às 14:24

    • é, na hora a gente, ui! rs

      03/01/2011 às 18:00

  9. Pingback: Tweets that mention Aquelas fotos trazem de volta os sentidos que eu perdi « Menina Misteriosa -- Topsy.com

  10. Você vê pincéis e tinta azul? Então, me ajuda a pintar?

    Obrigada pelo carinho e cuidado de sempre, minha irmãzinha. Tantas e tantas vezes, tua palavra é luz na minha escuridão, tu nem fazes ideia…

    Love. [CTR]

    12/12/2010 às 21:36

    • Menina Misteriosa

      Ajudo sempre, Miss. E da cor que você quiser!

      Love!

      03/01/2011 às 14:25

  11. Só tenho Amén a dizer.

    16/12/2010 às 10:26

    • Menina Misteriosa

      Que assim seja, SunFlower! ;)
      Beijo

      03/01/2011 às 14:26

  12. Engraçado como nos damos conta de como transformamos a nossa vida num inferno, pois nenhuma parte pensamos que daria nisto…

    Fique com Deus, menina.
    Um abraço.

    19/12/2010 às 17:06

    • Menina Misteriosa

      Pelo menos, com nós mesmos, a intenção é sempre boa?
      Beijo, Daniel!

      03/01/2011 às 14:32

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