Arquivo para janeiro, 2011

Dos elos: Quintana estaria certo?

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É estranho esse sentimento. A tentativa de proteção. O pseudo mistério. A ilusão. A transparência à revelia. Mais do que queria. Mais do que poderia. A impressão de que um letreiro em néon pisca indicando desejos, pecados, vontades. E medos. A tentativa de mostrar aos que importam que sim, que é – ou era – possível acreditar nas pessoas. O medo de ter chegado ao ponto de não conseguir mais acreditar. A observação. Das pessoas. Das brigas por atenção, por vaidade, por carência.  Das traições. Não relativas à fidelidade e sim à lealdade. Tudo e todos se tornaram dispensáveis? Da necessidade – doentia – de afirmação. De viver de comparação. A todo instante. A qualquer custo. A cumplicidade ficou esquecida? Um olhar cúmplice é tão bonito, tão intenso. Tão maior que tudo isso. E lá vem o lado “sentimentalóide” de novo. E a vontade de não querer. Não querer mais sentir. Não querer mais provar. Não querer mais arrumar desculpas. Não querer mais entender. Não querer mais confessar. A barreira era de mentirinha. Lacunas, brechas. Revelações sem pensar que poderia ser diferente. Sem querer acreditar que seria só mais uma luta perdida. Que seria só mais uma. Sem ouvir o que, lá no fundo, gritava. O saber não queria que fosse verdade. Havia fé. Como se não houvesse temor ao risco. Como se pudesse sempre se reerguer. E perdoar. Até uma hora em que as evidências atropelam, esbofeteiam a confiança. Não existe outro jeito, é preciso acordar. Por mais que o sonho pareça real.

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das trocas que fiz

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A ideia desse post surgiu do blog da Mariah. Não é meme, nem selinho. Eu me identifiquei com algumas trocas que ela mencionou e acrescentei outras.

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televisão por livros

baladas por receber amigos em casa

pseudo estabilidade por paz de espírito

o muito pelo melhor

ausência pela presença

indiferença pela atitude

prometer por fazer

muitos conhecidos por poucos amigos

medo por resiliência

o ter pelo ser

falsas certezas por possibilidades

a força pelo jeito

entrelinhas por tudo às claras

saudade pela estrada

a preguiça pela vontade

a mágoa pela chance

qualquer promessa por um bom papo

a fuga pelo entendimento

calar pelo falar

aceitação pela separação

alguns “dinheiros” por sapatos

ser certinha e politicamente correta por ser errada, autêntica e politicamente incorreta

açúcar por adoçante

tarde pelo o quanto antes

cautela por conquistas

sapos por borboletas

aperto no peito por suspiros

‘…’ por “…”

casa por apartamento

pudor pelo pecado

bonitinho pelo perverso

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jeans

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Sim, prefiro viver sem você, quero que vá embora. Eu me faço de forte e, fraca, te evito. Preciso te manter longe. O perto é estonteante. Perto, fico só na teoria. Você me sufoca, não te quero mais. A decisão funcionaria se eu não te visse.

Você diz saber o que eu quero e acredita que, no fundo, não é que você se afaste. Isso só me irrita mais. Porque é. E você não quer saber. Finge não entender. E eu? Eu sei. Mas só quando estou longe de você.

Se eu te escrevesse, daria certo. Selaria a carta e pronto. Só que quando você se aproxima de mim, as vontades se caldeiam. A pele fala mais alto que a razão. E eu esqueço tudo.

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Não resisto ao seu olhar perdido em meus lábios, enquanto tento te dizer não.

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E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim

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Vulgo Pavão

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– Qual música você acha que combina comigo?

– Hein?

– Todos tinham uma que você escolhia. Menos eu. Por quê?

– Ora, você era meu chefe… e você nunca gostou de brincadeiras.

– Mas você podia. Não sabia? Não se preocupe, vamos ter muito tempo. Eu me separei.

– Oh, que pena. Sinto muito. E como você está?

– Estou muito bem! Sente por quê? Agora a gente pode ficar junto!

– Hã?!

– Lembra o dia em que você pediu demissão?

– Unrun.

– Você ter saído da sala sorrindo e eu aos prantos me persegue até hoje. Perdi a moral, mas foi ali que eu percebi que te amava.

– Por eu ter te feito chorar?

– Não, por perceber que você me entendia. Você me tocou. Não percebeu? E agora você pode me amar também!

– Ah! Posso é? Er…. obrigada?

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Faltam o sobrado e o casarão. Evidências secretas da nossa loucura.

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Esse lugar fica um pouco depois do meio do caminho. ‘Lembra que onde tem muito caminhão parado é sinal que a comida é boa?’. Não sei quem nos disse isso. Mas é claro que ele brincou com os sentidos literal e figurado de comida e o assunto desviou. Até porque, ali existem duas casas. Juntinhas, como se fossem uma só. Mas não são. Uma é o restaurante e a outra o puteiro. São idênticas. Sem placas. Sem movimento do lado de fora, a não ser pelos caminhões. Brincando, paramos lá duas vezes. Crianças já adultas se desafiando: quem entraria e tentaria achar a porta certa?

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