Dos elos: Quintana estaria certo?

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É estranho esse sentimento. A tentativa de proteção. O pseudo mistério. A ilusão. A transparência à revelia. Mais do que queria. Mais do que poderia. A impressão de que um letreiro em néon pisca indicando desejos, pecados, vontades. E medos. A tentativa de mostrar aos que importam que sim, que é – ou era – possível acreditar nas pessoas. O medo de ter chegado ao ponto de não conseguir mais acreditar. A observação. Das pessoas. Das brigas por atenção, por vaidade, por carência.  Das traições. Não relativas à fidelidade e sim à lealdade. Tudo e todos se tornaram dispensáveis? Da necessidade – doentia – de afirmação. De viver de comparação. A todo instante. A qualquer custo. A cumplicidade ficou esquecida? Um olhar cúmplice é tão bonito, tão intenso. Tão maior que tudo isso. E lá vem o lado “sentimentalóide” de novo. E a vontade de não querer. Não querer mais sentir. Não querer mais provar. Não querer mais arrumar desculpas. Não querer mais entender. Não querer mais confessar. A barreira era de mentirinha. Lacunas, brechas. Revelações sem pensar que poderia ser diferente. Sem querer acreditar que seria só mais uma luta perdida. Que seria só mais uma. Sem ouvir o que, lá no fundo, gritava. O saber não queria que fosse verdade. Havia fé. Como se não houvesse temor ao risco. Como se pudesse sempre se reerguer. E perdoar. Até uma hora em que as evidências atropelam, esbofeteiam a confiança. Não existe outro jeito, é preciso acordar. Por mais que o sonho pareça real.

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22 Respostas

  1. As vezes a maior dádiva do sonho seja nos mostrar que podemos ser felizes com outra pessoa…

    Fique com Deus, senhorita Menina Misteriosa.
    Um abraço.

    30/01/2011 às 19:48

    • Menina Misteriosa

      Daniel,
      Esse é um assunto controverso.
      E esse texto vai além do apenas “uma outra pessoa”.
      Beijo!

      30/01/2011 às 20:07

  2. Sempre com ar de mistério, tão surpreendente.

    Se for pessoal e em tempo real: faça o q tem que ser feito! Dosa. Escuta. Analisa.

    Cheiro.

    30/01/2011 às 23:37

    • Menina Misteriosa

      U&E,
      Taí uma coisa que preciso aprender: a dosar. Tudo meu tem sido muito intenso!
      Beijo, linda!

      20/02/2011 às 22:56

  3. Paulo Fernandes

    Quebrou-se e se perdeu por querer.

    31/01/2011 às 18:21

    • Menina Misteriosa

      Paulo,
      Eu tento dar sempre mais uma chance. Talvez, seja a hora de acreditar no “por querer”.

      20/02/2011 às 22:57

  4. Navegar é preciso. Viver não é. Aliás, muito pelo contrário.

    31/01/2011 às 21:13

    • Menina Misteriosa

      Toninho,
      Melhor viver navegando do que morrer enquanto vivo, não é?

      20/02/2011 às 22:58

  5. Talvez nosso maior erro seja esperar que as pessoas sejam tão leais quanto nós mesmas seríamos…

    Profundo. Com um suspiro a cada ponto, uma dor a cada linha, uma lágrima a cada conclusão. Profundo.

    Beijos, flor.

    I’m here. Forever. #CTR

    31/01/2011 às 21:37

    • Menina Misteriosa

      Miss,
      você me lê além das palavras!
      Love you!

      20/02/2011 às 22:58

  6. O mundo tem mudado bastante, e pra pior. Mas vejo essa fase apenas como passageira, pois não há mal que dure para sempre. E esses sentimentos mencionados são pilares da nossa sobrevivência. Esteja certa disso.

    Daniel

    01/02/2011 às 17:44

    • Menina Misteriosa

      Está certíssimo, Daniel. É aprendizado. Por mais que, na hora, seja difícil aceitar.
      Um beijo

      20/02/2011 às 22:59

  7. Acorda.

    Porque é melhor sonhar e arriscar acordada. ciente e ansiosa pelo perigo.

    Ou esquecida dele.

    Ou abrir mão de tudo, se não está disposta mais a continuar se arriscando.

    Lindo texto.

    Beijos!

    02/02/2011 às 00:32

    • Menina Misteriosa

      Acordei dolorida. Mas, nesse sonho, não caio mais, Aninha!
      Beijo

      20/02/2011 às 23:00

  8. eu não consigo mais dormir e muito menos sonhar… parei no tempo!

    02/02/2011 às 00:47

    • Menina Misteriosa

      S.,
      Sonho é algo que não podemos controlar. Nem sempre lembramos.
      Beijo

      20/02/2011 às 23:01

    • quem dera se pudéssemos controlar, se desse eu só sonharia com ele…

      20/02/2011 às 23:47

  9. Kilson

    Se não puder sonhar é melhor nem viver.
    Adorei o texto!
    abraços

    04/02/2011 às 10:02

    • Menina Misteriosa

      Kilson,
      Alguns sonhos. Esse caso é bem específico.
      Sonhos são úteis. Até esse, um dia, já o foi.
      Seja bem vindo.
      Beijo

      20/02/2011 às 23:03

  10. Então a combinação entre pessoas, no que pode dar certo e talvez permitido?

    Se cuida menina.

    Fique com Deus, senhorita Menina Misteriosa.
    Um abraço.

    07/02/2011 às 17:00

  11. Visitei o castelo de Quintana em Porto Alegre: um bagunçado quarto no hotel Majestic. Na parede, um pôster da lindíssima Bruna Lombardi aos estonteantes 19, 20 anos – época em que conheci o poeta numa Bienal do Livro em São Paulo. Depois de quatro ou cinco palavras trocadas com ele, me senti mais poeta. Conclusão 1: Quintana estava certo de ter Bruna Lombardi em suas noites porto-alegrenses. Conclusão 2: Quintana estava certo em ser humilde o suficiente para fazer um adolescente descobrir-se capaz de poetar. Conclusão 3: Quintana estava sempre certo. Conclusão 4. Você também. Pelo menos para mim.

    09/02/2011 às 23:31

    • Menina Misteriosa

      Jorge, você, sempre encantador!
      Obrigada!
      Beijo

      20/02/2011 às 23:04

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