Arquivo para fevereiro, 2011

“I’m about to lose my worried mind” *

.

Sem descanso entre stiff, remada aberta e rosca, com um corrigindo minha postura e o outro me contando sobre a briga com a namorada na noite anterior. Até que ele pediu minha opinião. E eu dei, oras. “Sempre achei sua expressão tão doce, sua voz tão suave…. achei que você fosse mais…” Mais muro baixo?, perguntei. Ele ficou parado, um tempo me olhando, perplexo. Até que: “Repete. Quero anotar”.

O sábado foi com pinga e cachaça, brincando com a ideia da pimenta no nome. Turma reunida para consolar um amigo que terminou o noivado. Ele justificava que, ao ouvir de todos que era muito exigente, decidiu investir nessa relação e ser mais maleável. Aceitou, aceitou. Até ser bobo. Não soube achar o meio termo. Estava desconsolado achando que, difícil de se contentar como era, iria acabar sozinho. Alguém que me conhece muito o consola: “Fica assim não. A Menina é, pelo menos, umas três vezes mais exigente que você. E ela se apaixonou. Ela arrumou alguém. Se acontece com ela, vai acontecer com você também. Fique tranquilo!”. E só isso o acalmou.

Ele chega lá em casa com um vinho e o violão. Toca pra mim: “Quando a gente conversa Contando casos, besteiras Tanta coisa em comum Deixando escapar segredos”. Ouço-a inteira sem desviar meus olhos dos dele. Prometi não fugir mais. Ele termina a música e me rouba um beijo. “Beijo: quando um não quer o outro não rouba”. Palavras não eram mais necessárias. Ficamos abraçados até escurecer. No escuro, juntos, até amanhecer.

.

.

*Since I’ve Been Loving You – Led Zeppelin

.


teaser

.

“Muito estranho isso. Tá me angustiando. 100% das decisões estão nas suas mãos. Sou um peão no tabuleiro. No seu tabuleiro.”

.

“Rindo de mim mesmo por ter alguém que eu ame e deseje tanto tão longe… e pensar: ela pensa em mim… eu sei que sim… Ok, eu que quero que seja sim. É sim? Pensa?.

.

“Se textos me dessem a oportunidade de me apaixonar intensamente… diria que sim… estou… eu fujo de frustrações e não conseguir me expressar é uma delas (…)

(…). se a outra ponta me dissesse o que sente, deseja ou pensa…

.

 

Eu já vi muitos olhos nervosos diante dos meus, eu acho isso bem interessante
e vou te dizer uma coisa…
se um dia meus olhos encontrarem os teus…

 

………………………

Para você:

não consigo parar de pensar no que você me disse. não só nessa frase que postei.

agora, mais na outra. a de hoje. a do desejo.

na distância das vontades. em falar ou não.

tem muita gente.

………………………

 



Quando eu me chamar saudade

.

gosto quando os minutos e as horas transcorrem como numa alucinação.

não é isso que acontece agora.

.

Cansei de ficar lá dentro. Cansei de ficar no carro. Cansei até de ficar no boteco que fica em frente. Já ouvi a história da Ingrid e do Fernandinho. Já tentei ler sobre as sombras. Já as senti. Sentada num murinho de concreto do estacionamento, eu tento distrair quem está esperando comigo. Mas não consigo deixar de perceber cada rosto triste que sai de lá. Mesmo que eles saiam sorrindo. Tudo que vejo ali é tão pesado. Tenho abraços e mãos dadas. Tenho tudo. Mas, agora, nada. Eu quero notícias. Ou o poder de trocar de lugar com ele. Ou a certeza de que tudo vai ficar bem.

.

Ele me disse, chorando, que estava com medo. Pediu que eu não contasse a ninguém. Confidenciou que fala comigo por saber que sou forte. E me pediu para segurar as pontas de todo mundo.

.

Na hora do eletro, a moça pediu que ele esvaziasse os bolsos, tirasse relógio e tudo mais que pudesse interferir no exame. Junto com a carteira e o celular, em um dos bolsos, estava um terço.

– Desde quando você carrega um terço?

– Encontrei hoje, na hora do almoço, no quarto que a mamãe ficava. Deve ter caído, quando tiramos as coisas dela. Como estou cheio de problemas na empresa, eu o peguei e pensei: vou levá-lo para o escritório, assim minha mãe me protege e me ilumina. Guardei o terço e, antes de voltar pro trabalho, aconteceu o que aconteceu e vim parar aqui.

Alguém rangeu algo entre os dentes, insinuando que o terço estava amaldiçoado ou coisa assim.

Mas eu sei que não há “uruca”. Eu sei o que ela queria. Eu sei.

.

Ainda não chorei. Ainda não gritei. A angústia está, aqui, entalada. E quando eu achei que poderia respirar, preciso ser mais forte do que imagino.

Mais alguém precisa de mim.

.

Não para de chegar gente. Todos torcendo por ele e se emocionando.

É bonito tanto bem querer. Apesar de triste, pelo momento.

.

“aquela fé dos que ainda podem contar os anos nos dedos das mãos” deu lugar a

“olhos de névoa e de perda sempre olhando pra trás”

 

.


These Words I Write Keep Me From Total Madness*

.

Escrevo porque sinto, porque leio, porque observo. Porque tenho opinião. Porque vivo e tenho histórias para contar. Porque os pensamentos não conseguem ficar quietos na minha cabeça, e nem sempre se organizam sozinhos aqui dentro. Preciso colocá-los pra fora e, só aí, eles vão tomando forma, corpo. Ganham vida. Alguns morrem, depois, dentro de mim. Outros não. Mas, nas palavras, todos ficam imortalizados.

Escrevo para não enlouquecer. Escrevo porque nunca consegui fazer terapia. Escrevo porque tem coisas que não conto nem pra mim mesma, mas usando um personagem e uma terceira pessoa por que não?

Escrevo porque gritar já não adianta. Escrevo para desabafar. Escrevo porque sonho. Escrevo porque fantasio. Escrevo porque quero mais. E mais.

Não escrevo para mandar recados, nem indiretas. Escrevo pra mim. Mesmo que eu esteja escrevendo para alguém.

Escrevo porque tem coisas que eu queria falar e não consigo. Que eu sinto e não admito. Que eu quero e ainda não sei. E, quando eu leio a bagunça do primeiro rascunho, tudo fica mais claro. Ou não.

Escrevo porque tem dias que a criatividade ou uma inspiração impulsiva me invadem e alguns textos pedem para existir.

Escrevo porque perverto o que ouço, o que vivo.

Escrevo também para me desafiar. Gosto de ideias que não nascem prontas.

Escrevo para eternizar um sentimento, como uma foto faz com um momento. E para rir de mim mesma quando eu, lá na frente, voltar, reler meus textos e [re]lembrar.

.

* Charles Bukowski

.

Aceitei o convite, a cachaça, a cerveja e a coca-cola do Mayer. Brindo a ele, com ele e com:

Ana Marques

Felipe Carriço

Paulo Fodra

Rodolfo Lima

.

 


Quando a engrenagem precisa de uma azeitada extra para funcionar

.

Uéliton era o típico nerd, solitário e inexperiente. Dono de uma lojinha de conserto e venda de computadores, num bairro tranquilo daqueles que parecem cidade do interior. Perdeu a inocência com  […]

.

Para ler o resto da história, vem comigo… Meu conto, hoje, foi publicado aqui!

.


Sinal da compaixão*

.

Paramos lado a lado no sinal. Não sei porquê, mas ela chamou a minha atenção. Acho que foi seu ar meio tristonho. E o vidro sem película. Quem ainda anda de carro com as janelas tão clarinhas? Dá pra ver tudo lá dentro. Eu vi. Ela não. Nem reparou. Talvez estivesse absorta, concentrada. Ou, talvez, tenha sido culpa do vidro escuro do meu carro. Não sei. Só sei que, de repente, ela começou a chorar. Um choro doído, sincero. E quem sou eu pra achar isso? Eu nem a conheço. Mas ainda achei mais: parecia ser silencioso. Ela não soluçava. A impressão é de que as lágrimas rolavam a revelia, por mais que ela tentasse se manter inerte. E eu olhando. Senti vontade de fazer alguma coisa. Ela estava sozinha e eu, ali. Talvez, eu pudesse ajudar.  Mas eu iria fazer o quê? E quem disse que eu poderia? Que mania é essa? Talvez, só a atrapalharia ou a assustaria. Bem mais provável. Ninguém acredita na preocupação sem segundas ou terceiras intenções mesmo. E eu nem consigo saber. A rua está tão movimentada. Tantas pessoas. Umas tristes. Outras não. Umas mais, outras menos. Mal sei o que está acontecendo do meu lado, imaginem dos outros lados do mundo. Eu nem sei porquê. Agora já era, o sinal abriu.

.

* o título foi um presente.

.