Arquivo para março, 2011

Além de safado, burro.*

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Romualdo conheceu Clarimunda num daqueles grupos de encontro em que a parte espiritual é apenas um pretexto. Tentou aproximação, sem sucesso. A fama o precedia. Mas sua presunção tranquilizava: seria questão de tempo. Enquanto isso, turma grande, muitas possibilidades e, como a cama já estava feita mesmo, por que não aproveitar?

Continuou sendo o Romualdo de sempre: mulherengo, largado, vadio. Mas começou a sentir falta de se apaixonar. E não tirava Clarimunda da cabeça.

Decidido, abriu seu coração. Contou sobre seus vícios, taras, escapulidas, casos e tudo o mais. Queria recomeçar.

Com o tempo, ela cedeu e confiou.

As coisas foram engrenando, estavam praticamente namorando. Mas, dessa vez, ele queria fazer tudo certinho e diferente. Antes de selar o compromisso, disse a ela que precisava resolver uma coisinha, uma pendência.

Num impulso e no desespero de ter a última antes da última, combinou com outra menina, do mesmo grupo, que a um bom tempo dava mole. “Se você é um caçador e um alce pega sua arma, atira em si mesmo e se amarra no teto do seu carro, você tem que levá-lo pra casa e comê-lo”. Foi o que ele fez.

Assim que ele foi embora, a caça ligou para a quase namorada e relatou em detalhes: “Ele me queria muito. Mal chegou, já foi me virando contra a parede, de costas para ele. Enfiou as mãos por baixo do meu vestido, arrancou minha calcinha e começou a me penetrar com força, enquanto puxava meus cabelos. Ele ainda escorre entre minhas pernas. Precisava te contar, amiga, eu me preocupo com você”.

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* título. supervisão. presentes.

obrigada!

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Eloah

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Ela não tem a senha do blog. E eu não sei quem ela é. Entramos em acordo e, assim, uma respeita os mistérios da outra. Só a sei pelo nome e pela vontade e facilidade que tem de escrever. Dentre uma quantidade imensa de textos dela, que enchem minha caixa de entrada, escolhi esse para apresentar a Eloah. A tendência picante de seus escritos ainda está por vir. Apreciem.

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Mãe não, avó

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“Vem cá vó, a Eloah tá te chamando” disse meu pai para a minha mãe.

Hierarquia sempre foi uma palavra que, para mim, me remetia a poder, à política ou qualquer outra coisa que pareça um pouco suja. Mas com o passar dos anos e as convicções adolescentes sendo colocadas no baú de recordações, descobri que não é sujo associar hierarquia à família. Afinal de contas, não foi sempre assim: Pai <>Mãe -> Filhos? Não sempre foi o famoso “Quem pode manda, quem tem juízo obedece”?

Um dia, prestando atenção em uma conversa entre meus pais e meus avós percebi: Ser avô(ó) é estar acima de qualquer outro membro da família, é como estar acima do bem e do mal. É não ser mais pai ou mãe – segundo Dona Iracema, minha avó, ser avó(ô) é ser mãe/pai duas vezes – é ser supremo.

Sabe por que digo isso? Meu pai não se refere à mãe dele como ‘mãe’ e sim como ‘vó’. É sempre assim: “Eloah, você já visitou a vó essa semana?” “Graça, a vó tá em casa?”.  Aí descobri também que todos querem ser avós… Quando meus pais viraram avós eles só são tradados como tal entre os membros da minha família, minha avó os chama de avós, eu os chamo de avós… E vocês pensam que meus avós viraram bisos? Enganam-se, eles ainda são avós!

Ser avó(ô) é estar no grau máximo da hierarquia familiar. Já tenho muitos sobrinhos, não sei se quero ser mãe. Mas de uma coisa eu tenho certeza: quero ser avó.

Eloah

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Poucas pessoas

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Li este post da Cassiana e, na hora, senti como se ela pudesse estar falando de mim. Daí, fiz algumas mudanças para que eu mesma me revelasse. Sem máscaras. Sem falsas pretensões. Bem crua. Bem exposta. Para os que sabem, claro. Com todos os sentidos, como ela publica e eu gosto tanto.

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eu queria ser mais “durona”. queria mesmo. daquelas que aguentam firme e não arredam o pé. só que eu não consigo e sou um tipinho que entrega o coração bem rápido, de pronto. eu não demoro pra ser sua, a fase do jogo eu pulo, meu mergulho é cego. aquela loucura. e como eu queria me controlar. e queria que esse auto controle não fosse só pose. então, como eu sei que sempre acaba sendo tarde demais pra eu tentar buscar em mim essa força porque quando eu me dou conta eu já tô sempre com o interior descoberto… então eu vou lá e me faço destrutiva. é, eu pego aquilo que eu dou de graça e de forma limpa e sincera e destruo. porque se eu não consigo evitar te dar então eu te dou toma que é teu, mas vai aos pedaços. e não vai numa bandeja. vai numa caixa. toda fechada. sem chave, sem fechadura, sem qualquer abertura. para que você nunca saiba o que te dei. nem que estava despedaçado.

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Prometi e publiquei. Uma homenagem a você que passou a fazer parte da minha vida. Com um beijo.

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