O troco

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O conto “Além de safado, burro” rendeu uma ótima e inteligente discussão saudável nos comentários e mexeu com temas como traição, perdão e amizade.  Por email, recebi pedidos e sugestões. Tanta polêmica, não poderia ficar sem desfecho. E merecia mais de um, para apimentar. Convidei alguns amigos que prontamente aceitaram e me deram a honra de publicar seus textos.

O primeiro é o querido e “admirado” Heru_sa que nos presenteou com essa delícia de conto, com os requintes mais nobres de seu humor inteligente. Apreciem.

Se você chegou direto aqui, conheça a 1a. parte da história!

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O troco

Assim que saiu do encontro, um extasiado Romualdo tentou ligar para a amada Clarimunda para contar, não conseguia parar de pensar nela, em nenhum momento, nenhum, deixara de pensar nela, e agora sim, tudo resolvido, estava livre, nada mais o impedia, tinha exorcizado seus fantasmas e encostos, com força e com vontade tinha explodido em libertação, era outro homem, nunca mais as outras, pronto para ela!

O celular ocupado e depois sem resposta teve o efeito de um banho gelado, mas tudo bem, falaria com ela à noite na reunião do grupo.

Fato é que o telefone de Clarimunda jazia em pedaços no canto do quarto, tal a violência com que fora arremessado na parede tão logo a “amiga” desligou. Porém, poucos minutos de choro sobre a cama foram suficientes para a atraiçoada superar as fases de negação e de ira, transpondo também rapidamente a negociação e a depressão, dor, dor, dor! Mas aceitar, não, não aceitaria.

Ceder e confiar, eis o teu equívoco, Clarimunda. O plano de vingança lhe veio à mente como uma dádiva dos céus.

À noite, Romualdo chegou mais cedo para a reunião, queria falar com a sua paixão antes, mas uma vizinha veio avisando a todos que hoje ela se atrasaria. Ainda mais ansioso, Romualdo fugiu como pôde da fulana com quem estivera à tarde, mulherzinha insuportável, grudenta, e vir agora falar assim, essas coisas, da minha Mundinha.

A outra não deu trégua até o apaixonado se exaltar, não enche, mulher, se liga, foi só uma vez, não gostei, não quero nada com você!

A entrada de Clarimunda no salão fez a amiga engolir as lágrimas. Nunca a vira tão arrumada, jeans justo e salto alto ressaltando o atributo que melhor rimava com o nome da rival, que nem era assim feia de rosto. Enroscado no monumento, braço sobre os ombros dela, um tipo alto e forte.  — Geente, deixa eu apresentar, o Julio aqui, ele é meu treinador faz um tempo, trouxe ele pro grupo, nos entendemos hoje… vamos casar!

Heru_sa

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14 Respostas

  1. Menina Misteriosa

    Para quem sabe sobre a “lei do balaio”, a menção ao treinador foi apenas uma coincidência! ;)

    08/04/2011 às 10:23

  2. Essa Clarimunda, tão espiritual, ou seria espirituosa? Gostei dela. :)

    08/04/2011 às 10:38

  3. Engraçado que na nossa visão eles eram crentes e a Clarimunda só usava saia… Ei que já estamos imaginando uma continuação (do 2º conto)

    08/04/2011 às 11:01

  4. Adoro Clarimundas nesse mundo, um salve rsrs

    08/04/2011 às 11:43

  5. Tânia

    Ótima vingança! Só espero que esse treinador seja bem gostoso! ;P

    hehehe

    Miss

    08/04/2011 às 13:27

  6. Heru_sa

    Menina, agora em público, obrigado pelo convite!

    Dessa lei do balaio eu não sei, mas não acredito em coincidências, “o acaso não existe”.

    Mirian e Noh, as Clarimundas deste mundo, espirituais ou espirituosas, levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima. Ou, traídas, por vingança traem a sim mesmas “casando” com o primeiro da fila?

    Gustavão, de fato não pensei do que seria a reunião, ou talvez cogitei algum grupo de “sexolatras anônimos” (e o Romualdo seria um Michael Douglas tupiniquim), mas a sua visão não precisa estar necessariamente equivocada… trocar a saia pelo jeans e ir ao culto pode ter sido mais um símbolo da “revolução” da Clarimunda, não é?
    Aguardamos a sua continuação!

    08/04/2011 às 13:50

  7. mfoizer

    A meu ver a Clarimunda sente mais brava consigo mesma que com o Romualdo, me pareceu ser daquela bem desconfiadas. Será que ela passou pelo momento de bater repetidamente a cabeça na parede dizendo “Pq eu confiei? Pq eu confei?”

    Ela agora odeia Romualdo. Odeia com uma gana insuportável e fará tudo que sabe pra sacrificar o rapaz.
    O ódio é o sentimento mais passional que a Clarimunda demonstrou pelo Romualdo. E se ele for esperto vai fugir, afinal esse vulcão adormecido foi despertado.

    08/04/2011 às 18:02

  8. Heru, na verdade, bem da verdadeira, quando traídas, traem a si mesmas, sempre, ate aprenderem, mas aprendem viu rsrs

    08/04/2011 às 22:03

  9. O balaio é o que eu estou pensando?

    Rs

    Acho que sei em que colo o Romualdo vai descansar as guampas…

    Beijos.

    10/04/2011 às 17:22

  10. Casar? Que coisa mais old fashion.

    11/04/2011 às 00:47

    • Heru_sa

      E no entanto a 2ª continuação também é sobre casamento. Que coisa, não?

      11/04/2011 às 20:35

  11. Old fashion também,mas que foi surpreendente e ousada,foi!

    11/04/2011 às 23:40

  12. Uia, aqui se faz, aqui se paga, mas quantos corações são deixados quebrados pelo caminho para respeitar esta máxima…

    Fique com Deus, senhorita Menina Misteriosa.
    Um abraço.

    15/04/2011 às 23:52

  13. Estou pegando o fio da meada… vou pro próximo…

    24/04/2011 às 22:26

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