Arquivo para junho, 2011

Epifania

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Se eu revelasse o assunto do email que gerou tudo isso, ninguém acreditaria.

A brincadeira foi ganhando forma aqui dentro. Não quis mais ficar só na cabeça. Tomou o corpo e quis sair. Com bem mais que uma mera pretensão de acontecer.

Seria uma experiência até simples. Mas só de imaginar fiquei desconcertada. Tem épocas – para não ser deselegante e dizer que é quase sempre – em que os desejos ficam à flor da pele. O que estou vivendo – mudanças, vontade incessante e incontrolável de experimentar e provocar, entrega, fantasias se tornando reais – contribuiu para a empolgação. E o destino certo, claro. Melhor do que a simplicidade da ideia é quase poder sentir o furor do alguém que vai receber.

A concentração no trabalho já estava perdida mesmo, então, fui embora para colocar a doideira em prática, antes que eu pensasse melhor e desistisse. Ou pior, antes que tivesse mais ideias como essa.

Enquanto me deliciava com o devaneio, em meio a cada vez mais desatinos, lembrei-me de algo que li ou ouvi, não sei ao certo onde:

“Just my own naked self and the stars breathing down, it’s beautiful.”

Deu tempo de desviar do caminho de casa. Fui para onde eu pudesse fazer tudo, exatamente como sonhei acordada. Queria fazer sozinha. Sem ajuda, sem plateia. O gostinho surpresa seria melhor.

“Existiam duas mulheres dentro de Lavínia. Uma usava um dedo de pintura e muita lascívia. Trepava de um jeito atrevido, como se estivesse punindo a outra, a Lavínia mansa, assustada com o mundo.” *

Não me contentei em capturar só o desfecho. Fui, já no carro, narrando tudo o que acontecia comigo. A descrição de certos detalhes é excitante.

“O detalhe é a alma de toda a fantasia. Qualquer detalhe, por mais inusitado ou pervertido que seja. Daí os fetiches. A particularidade do desejo. E um detalhe pode tornar-se muitas vezes mais excitante que a própria fantasia.” *

O calor só aumentava. Descrevi o lugar, a noite, o céu, meu corpo, as sensações. Meus pensamentos. As mãos. A grama molhada. A cadência da vontade. Crescente. E mais. E mais.

“Quem me contava isso era a Lavínia doida, não a puritana. Uma falava da outra na terceira pessoa. E eu adoeci daquela mulher. Contraí o vírus da sua insensatez.” *

Eu queria mais.

“Era intenso demais para ser só um jogo”. *

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– Posso gritar?

– Pode. Grava e (me) manda.

– Ah, sem graça. Se for pra mandar, tem coisa melhor…

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* trechos do livro
“Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”,
Marçal Aquino

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Para os dias frios e para os nem tanto assim

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“Eu quero ir pra longe
onde ninguém me alcance
quero correr sem parar.
Eu quero ir para longe
onde seus olhos não me lancem
aquele olhar…
Eu quero ir para longe
onde seu dedo não me aponte
mas eu preciso ficar…
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
Então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Eu quero ir para longe
quero ir pra bem longe
onde você não está,
eu quero ir para longe
dessa cobrança incessante
de estar em outro lugar.
eu quero ir para longe
não sei bem aonde
mas eu preciso ficar.
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
Então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Você não me vê
Você não tenta entender
onde é o meu lugar…
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Você não me vê
não procura entender
onde é o meu lugar…”
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ganhei essa música de presente.
de uma pessoa muito amada.
obrigada.
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