Arquivo para julho, 2011

Não sabe – ou não quer – brincar, não desce pro play

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Mesmo tendo excluído a conta @meninamisterios do twitter, eu me envolvi no #LingerieDay. Não por pretender o posto de mediadora da ONU, até porque não acho que discussões tenham, necessariamente, que gerar conflitos. Mas pelo prazer de argumentar, de incitar, de saber. E de tentar falar e opinar menos, o que, como veem, não funcionou.

As reflexões passavam pelo feminismo, pelo ostracismo, pelo machismo, pelo estrelismo, pelo achismo, pelo cotovelismo. Ismos a esmo, ao meu ver. Não por falta de elementos discutíveis, mas por criarem muito caso com uma brincadeira. Tudo tem que ter tanto significado? Tudo merece um porque ou um senão? [digo isso sendo uma questionadora, quase chata] Banalizam os “porquês” assim como o “eu te amo” e o “vai à merda”. É interessante levantar questões, principalmente, dentre as que existem no tema e no que ele suscita; não no porquê alguém participa ou não do #LingerieDay. É uma escolha, como qualquer outra. Não desmerecendo, nem enaltecendo. Cada um ama quem quiser, de graça ou por dinheiro, e se despe ou não como quiser. Isso não significa que eu tenha que concordar ou agir da mesma forma. Muito menos julgar.

A liberdade de um indivíduo não vai até o ponto em que começa a afetar a do outro? Se não quiser ver, não clique. Não é uma obrigação infligida.

Minha cabeça hoje não parou quieta e ia de digressões literárias à brincadeiras inocentes ou perversas. Pernas, calcinha, sutiã, bunda ou peitos expostos no twitter não afirmam que a pessoa não pense. Bem como um livro no avatar não garante que ela pense. O mundo está ficando chatinho e melindroso demais. Me cansa essa mania de rotular.

Explicar uma piada é como ter que defender o ludicismo intrínseco de uma brincadeira. Perde a graça.

E, se podemos aproveitar e/ou conversar sobre isso e sobre o que causa, nos divertindo e/ou aprendendo algo, por quê não?

Se não me diverti com as fotos de lingeries ou de cuecas, me diverti com as discussões, desde as defesas até as críticas, ferrenhas, brandas, fundamentadas ou não.

Ninguém engana todo mundo por muito tempo. Tem corpo que se esforça para mostrar sua moral ilibada e ser visto de forma diferente. Tem cabeça que se esforça para que olhem para baixo e a desejem pelo carnal. Só existe um ou outro? Acho que vai além. Cada pessoa é bem mais que um avatar. Parece que se esquecem disso.

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Para quem não sabe o que é o #LingerieDay

Polêmica de mundo chatinho: Nirvana e FB

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