Arquivo para agosto, 2011

eu conheço seus cantos, eu te conto pelos contos

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Para me envidar e provar a mim mesma que estava errada tentei namorá-lo. Até que o cheiro nauseante dele me convenceu do contrário. Não, não era o perfume. Ele mudou. Não adiantou.

Como lembranças e gosto, meus relacionamentos se guiam pelo cheiro.

O último exalava flores. O aroma da magnólia era um convite. O da ageratum purificou e limpou odores passados. As acácias e miosótis trouxeram o amor e a fidelidade. Nunca mais senti um ciclame, vocês sabem, símbolo olente do ciúme. Vivíamos com o reconhecimento das dálias, com o amor das acácias, com a superação das petúnias, com a tranquilidade das violetas.

Até que, sem uma flor de lis se quer, ele me deu um copo de leite.

Sem ele, perdi o faro, meu olfato ficou confuso, sujo, viciado.

Como o hálito do fogo que compromete o que lambe, o dele impregnou-se em tudo. Assim eu pensava.

Hoje, entendi que ele está em mim. Infiltrado em cada poro, em minhas entranhas. É o meu cheiro que me lembra dele. O cheiro da minha pele, do meu suor, do meu sangue.

Como os cactos, minhas folhas e pétalas reduziram-se a espinhos que, além de afastar predadores, rasgam minha pele e me tornam uma flor sem perfume. Não amo mais. Não sei o que é paladar. Não tenho prazer. Mas ainda me lembro dele.

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para você, que provocou a inspiração.

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