Na noite do feriado da independência, a dependência de amor

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Não escrevi essa carta. Embora eu pudesse ter dito ou sido alvo de muitos trechos. E, por isso, pedi permissão à autora para publicar aqui.

Se alguém se encontrar nela, é enredo de novela, não há uma só indireta para ninguém. 

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Naquele dia em que te conheci, enxerguei de cara, nos seus olhos, uma pessoa boa. Já te disse isso.

Não mudei de opinião. Não acho que você não o seja. Aos poucos fomos conversando e enxerguei um pouco mais. Um homem bonito, inteligente, extrovertido, cativante.
Um olhar brilhante, um sorriso sincero. Alguém com quem eu gostava de dividir os sorrisos, as histórias, as Stellas e as bobagens.
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Alguém de quem eu fui, aos poucos, aprendendo a querer saber mais… como andava a vida, as filhas, o mestrado, o trabalho, o jiu-jitsu…
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Alguém a quem eu via como um merecedor da felicidade, mas um tanto perdido no passado, nas coisas que acabaram e que, ainda assim, continuam firmes na cabeça e no coração, pelo simples medo de perdê-las de vez… pelo simples receio de trocar o “certo”, mesmo que tão incerto, pelo “duvidoso”, ainda que tão certo este fosse.
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Aos poucos, fui percebendo que você via a vida de forma parecida com a que eu mesma a enxergo. Alguém que, apesar de mostrar-se um tanto egocêntrico, (ao falar mais que ouvir, falando mais de si que querendo saber de mim; ao procurar-me somente quando sentia vontade ou tinha interesse, sem, no entanto, sentir-se na obrigação de atender-me quando era eu quem o procurava, ou de retornar mensagens e ligações perdidas, como eu mesma sempre fiz com você), ainda assim, fui vendo-o como alguém que tem diversas qualidades, que compensavam até mesmo esses defeitos que eu, tantas vezes, em outras ocasiões, já considerei inaceitáveis e que sempre me deixaram meio sem chão. Fui compreendendo que era seu jeito e que nunca foi por mal.
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Fui enxergando o quanto havia em comum. O quanto as conversam rendiam e os corpos combinavam. O quanto os olhos brilhavam e as bocas queriam. E, apesar do eterno jogo de gato e rato, onde o meu sumiço sempre foi a “isca” para a sua procura, ao mesmo passo em que a minha procura era a certeza da sua fuga, ainda assim, fui acreditando que poderíamos ir nos aproximando cada vez mais, e que eu poderia, aos poucos, ir te fazendo acreditar que a vida está na sua frente, só basta que você abra os olhos para enxergar.
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E não digo isso falando de nós. Poderia sim, ser. Ou não. Mas falo do geral. Falo do que você ainda vai viver, do que a vida ainda vai colocar na sua frente, e talvez você não enxergue, simplesmente porque estava olhando pra trás.
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Imaginava que você fosse alguém que, com tanta vida vivida, com tanta ferida na alma, tivesse a maturidade de discernir entre o verdadeiro e o falso, reconhecer intenções e respeitar sentimentos. E pessoas.
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O via, pelo nosso pouco convívio, como um homem maduro, que, mesmo que pudesse ser “pilhado” por pessoas de menos maturidade, soubesse portar-se de modo a zelar por algo que (ao menos ao meu ver) foi bom e poderia ser ainda melhor. Se não um relacionamento homem x mulher, ao menos uma relação de amizade, que poderia crescer como algo verdadeiro, sincero, leal e saudável.
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Sinceramente, não consegui compreender suas atitudes, nem tampouco a falta delas. Não consegui entender como se demonstra interesse num momento, para, no instante seguinte, aparentar desinteresse e, ainda mais que isso, desconsideração. Não consegui entender como pôde ser tão maduro em dados momentos, para, em outros, mostrar-se tão infantil. Não consegui entender pra quê tanto contato, se a intenção jamais tiver sido envolver-se.
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Se apenas queria o corpo, deveria ter sido franco. Eu te diria que não costumo entregar-me somente de corpo, e nós pouparíamos tempo e decepção.
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E se a intenção não era somente esta, então, por favor, me explica. Por quê eu sinceramente gostaria de saber e de poder continuar a acreditar que não me doei em vão.
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Me desculpe pela extensão das linhas, e pelo tocar em feridas que talvez ainda te doam. Mas te escrevo por mim, pra me livrar do que grita aqui dentro, independentemente de saber se um dia saberei da verdade, ou não.
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Deletei seus números de telefone e suas mensagens. Te excluí das redes sociais e do msn. E talvez até pareça, mas não o fiz por pirraça ou infantilidade. O fiz somente para que eu aprenda a não ceder aos meus impulsos de te procurar. Se um dia ainda quiser conversar, desde que seja de forma franca, você sabe como me achar.
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Se cuida e pensa um pouco.

Acho que você sabe, mas nunca é demais dizer:
só quero que fique bem.

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11 Respostas

  1. Menina Misteriosa

    Pode parecer bobeira, mas o “querer o bem de alguém” não pode ultrapassar o meu estar bem.

    08/09/2011 às 10:38

  2. Eu conheço uma história assim!
    E assim deve haver milhões… não é assustador?

    Beeeeijo, querida MM!!! =)

    08/09/2011 às 10:41

    • Menina Misteriosa

      Sim, Li. E triste.
      Muita covardia para pouco prazer. E nem se o prazer fosse muito. Nem assim…

      Beijo

      08/09/2011 às 11:06

  3. É… Quem não conhece uma história assim? Ou mais de uma até.

    Beijão.

    08/09/2011 às 10:54

    • Menina Misteriosa

      E, nessa modalidade de secura bipolar, não há soro nem São Pedro que dê jeito.

      beijo, Mirian!

      08/09/2011 às 11:11

  4. Poderia ser o formato mínimo, mas na verdade é um formato estranho. Independência ou morte? Tem gente que prefere morrer, de amor. Texto que me tocou.

    besos,
    @paraquenomes

    08/09/2011 às 12:38

    • Menina Misteriosa

      Não me estranha conhecer o formato, mas as coincidências, seja de formato ou não.
      Pode ser um amor que mate sem tirar a vida? Quem fira com dor de prazer? Que doa de saudade por querer mais e que possa ter?

      Independente, morro de amor.

      Beijos, @paraquenomes!

      08/09/2011 às 15:14

  5. Independente que sou, declaro-me completamente dependente do amor.

    08/09/2011 às 17:56

    • Menina Misteriosa

      Miss,

      mais uma:
      Comemoramos nossa independência escolhendo morrer de amor!

      Sou apaixonada COM a ideia de amor. Muito amor.

      Love you!

      08/09/2011 às 20:58

  6. Doeu aqui.

    Ando flertando com o amor, na esperança nula de fazê-lo precisar de mim, só pra variar um pouco.

    Beijo, querida minha.

    08/09/2011 às 21:41

    • Menina Misteriosa

      Lu, peço sempre que o amor não precise de mim e, ainda assim, queira ficar.

      “sonhar não custa nada… e o meu sonho é tão real…”

      Beijo

      08/09/2011 às 21:50

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