Arquivo para novembro, 2011

Dadinhos

.

Achei que era seu braço que se enlaçava no meu. Eu estava embaixo da mesa, brincando de não me esconder. De fingir que fujo. Para você não deixar. Me pede pra ficar. Me pede e eu vou dizer que não e, talvez, chore sentada no chão com as pernas encolhidas abraçada aos meus joelhos e, talvez, tente te afastar. Não deixe. Me segure firme para eu te [re]conhecer, saber quem você é e me permitir ser quem sou.

.

Anúncios

além das nuvens

.

Quase deixei mais da metade da pilha de louça suja por lavar para vir escrever. Bendito vício. Não por medo de esquecer, tenho uma memória, por vezes, maldita. Vim porque precisava dizer. Tenho urgências ansiosas. Ela não quer sempre ser a chata. Nem a forte. Nem a que não espera algo bom de alguém. Ela ouviu “você é minha consciência” e ficou feliz. Pois não fique, eu disse, não fique. De acordo com o “Menino de Ouro”, “deitamos mão ao que diz o povo e falamos sem pensar”. Ela questiona até os ditos populares. Eu digo a ela, é fuga. E ela me escuta? Não! E se propõe àquele papel, quando não pedem. Não pedem, mas ela ouve. Alertei, é loucura. Ninguém sabe o que ela sente. Nem mesmo eu. Vejo-a fazendo laços alheios e se perdendo em nós. Não posso gritar, nem te avisar, ela não deixa.

.