Arquivo para março, 2012

a moça que escreve sem roupa

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‎”Tentar dar o troco achando que não vai se machucar em dobro mais tarde é burrice.”*

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Não tem era uma vez. Apesar de viver de passado. Joga migalhas circenses para delas se alimentar. Sempre preterida, esnoba um falso ego mascarado de virtude. Camaleia-se por tecos de atenção, vende mais do que alma. Mira a vítima e suga seus ídolos, gostos, quereres. Transforma-se. Despersonaliza-se. A cada novo alvo, outra. Na falta de graça, doa o corpo. Exige do outro o que não oferece nem a si mesma. Grita garbo, elegância e concordância para esconder a falta de caráter. Expatriada, respira lembranças inventadas. Amaldiçoa os que levam a bênção de nunca terem sido. Cuspiu seu veneno em minha direção. Troco? Não precisei fazer nada. Secou sozinha, retorcida pelo ciúme e pela amargura.

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*atribuem essa frase à Buk. não achei a original para confirmar

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O Mistério do Planeta*

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Desde ontem que me pego pensando em sobre o que escrever e como escrever. Conto? Poema? Crônica? Acho o último gênero, um dos de maior polêmica sobre sua definição, o mais apropriado, pois a mulher traz a polêmica consigo desde os tempos imemoriais. E nesse tipo de texto posso dialogar num tom mais intimista com vocês leitoras, a quem dirijo e dedico esse texto. Começo falando sobre o título, que roubei de uma canção fantástica dos Novos Baianos, mas que nada tem a ver com as linhas que virão mais abaixo, a letra não, mas o título eu julgo ser perfeito, vamos lá. Vindo pro trabalho me lembrei de um filme, na verdade de um pedaço dele, uma fala pra ser mais exato, não sei mais o nome, os atores e do que se trata, apenas que um dos personagens, um senhor excêntrico e que andava nu pela casa mesmo com as filhas já adultas – eram mais ou menos três ou quatro – num dado momento diz em tom altivo e resignado, Mesmo que eu viva duzentos anos ao lado de vocês mulheres, jamais irei entendê-las. Eu devia ter uns oito ou nove anos, e essa fala colou em mim, me intrigou, eu que na época não tinha condições de interpreta-la, e hoje sim, sei exatamente o que ele quis dizer. Desde garoto convivo com mulheres, mãe, irmã – apenas um ano e meio mais jovem – tias, primas, avós, colegas, esposa, namoradas, ficantes etc. Sempre fui amigo de vocês, e sempre procurei observar seu comportamento, mesmo sendo um cara distraído. E sei que não sou capaz de compreendê-las, assim como o personagem do filme. Quando me dei conta disso, ainda com meus vinte e poucos anos, fiquei transtornado, duvidei da existência da felicidade no mundo e de que a mulher é mesmo uma criação de Deus. Ah! os arroubos da juventude… Hoje em dia o que mais me atrai nas mulheres é justamente esse mistério insondável, essa instabilidade emocional e de quereres que mudam mais que as fases da lua. Sim, o não-saber vocês é o que me aproxima da felicidade e de querê-las cada vez mais de lá pra cá. Não há monotonia ao lado de uma mulher, sei porque também tenho amigos homens, e nós somos muito previsíveis, vocês não, há nesse comportamento, que creio eu, foi muito aperfeiçoado desde Eva, uma vocação para dominar sem parecer que estar dominando, de ser forte sem perder a doçura, de ser obstinada sem esquecer da beleza, de ser atendida com o mínimo esforço, às vezes basta um olhar ou um biquinho. E eu poderia ficar escrevendo horas sobre os mais diversos aspectos da feminilidade, que me atraem e me fazem ser um eterno apaixonado pelo sexo oposto, mas hoje quero pensar e louvar apenas a esse mistério. Um brinde a vocês mulheres, outro brinde a esse mistério, que é inato. Continuem me intrigando, me trazendo felicidade, dores de cabeça e a vontade de ser cada vez melhor.

Dedico esse texto às mulheres da minha vida, Mãe, Irmã e Sobrinha-afilhada. Dedico à minha futura esposa, que até agora também é um grande mistério. E às leitoras que me incentivaram a escrevê-lo e às que não puderam incentivar mas agora me leem, misteriosamente.

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*Texto de André Salviano pra celebrar o dia de hoje. Feliz Dia Internacional da Mulher.

André Salviano – um admirador da alma feminina [e do corpo idem], como ele mesmo diz – é poeta. E um eterno apaixonado. Escreve na Confraria dos Trouxas e no 4 pecados.