Arquivo para novembro, 2012

Encomenda*

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Decidiu não ir trabalhar e, já pela manhã, foi chorar a dor de corno na venda. Seu carango velhinho, mas bem cuidado, o levou. Afinal, era uma ocasião especial. No final da tarde, quando deveria sair para pegar o turno da noite, perdeu a hora à espera dos biscoitos que a esposa do Seu Sebastiano tão efusivamente insistiu em fritar na hora. Ela gosta de receber bem os visitantes.

Reza a lenda que usar o guizo da cobra certa, depois de abençoado, no bolso direito da calça traz fartura de mulher. E de disposição para dar conta de todas. Sem pilulazinha azul, que não é coisa de macho.

Depois de ouvir que o imprecado “mocô” veio do estrangeiro, benzido por um pagé-paxá-pai-de-mãe-de-santo-virgem e que fazia milagres, resolveu deixar seu possante em troca do imprescindível.

Enquanto Seu Sebastiano foi dar umas voltas nas redondezas para testar o carro, ele se atracou com Dona Desumira, na cozinha, sentido-se mais poderoso que a chama que fazia o óleo quente estalar. Funciona mesmo, pensou ele.

Depois de uma longa caminhada de volta para casa e várias paradas no caminho, como que por milagre ainda conseguiu se lembrar da recomendação: Ao chegar em casa, depois de uma bimbada, vá direto à porta dos fundos. E não entre com a roupa que traz histórias. Dispa-se no quintal, deixe a roupa no tanque e só entre em casa se estiver completamente nu. Com o guizo na mão e mais nada.

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*o título foi um presente! [a você, obrigada!]

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