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Para os dias frios e para os nem tanto assim

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“Eu quero ir pra longe
onde ninguém me alcance
quero correr sem parar.
Eu quero ir para longe
onde seus olhos não me lancem
aquele olhar…
Eu quero ir para longe
onde seu dedo não me aponte
mas eu preciso ficar…
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
Então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Eu quero ir para longe
quero ir pra bem longe
onde você não está,
eu quero ir para longe
dessa cobrança incessante
de estar em outro lugar.
eu quero ir para longe
não sei bem aonde
mas eu preciso ficar.
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
Então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Você não me vê
Você não tenta entender
onde é o meu lugar…
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Então fico assim
fico dentro de mim
em qualquer lugar.
então vou por aí
mas não saio daqui
e não te deixo entrar.
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Você não me vê
não procura entender
onde é o meu lugar…”
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ganhei essa música de presente.
de uma pessoa muito amada.
obrigada.
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“I’m about to lose my worried mind” *

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Sem descanso entre stiff, remada aberta e rosca, com um corrigindo minha postura e o outro me contando sobre a briga com a namorada na noite anterior. Até que ele pediu minha opinião. E eu dei, oras. “Sempre achei sua expressão tão doce, sua voz tão suave…. achei que você fosse mais…” Mais muro baixo?, perguntei. Ele ficou parado, um tempo me olhando, perplexo. Até que: “Repete. Quero anotar”.

O sábado foi com pinga e cachaça, brincando com a ideia da pimenta no nome. Turma reunida para consolar um amigo que terminou o noivado. Ele justificava que, ao ouvir de todos que era muito exigente, decidiu investir nessa relação e ser mais maleável. Aceitou, aceitou. Até ser bobo. Não soube achar o meio termo. Estava desconsolado achando que, difícil de se contentar como era, iria acabar sozinho. Alguém que me conhece muito o consola: “Fica assim não. A Menina é, pelo menos, umas três vezes mais exigente que você. E ela se apaixonou. Ela arrumou alguém. Se acontece com ela, vai acontecer com você também. Fique tranquilo!”. E só isso o acalmou.

Ele chega lá em casa com um vinho e o violão. Toca pra mim: “Quando a gente conversa Contando casos, besteiras Tanta coisa em comum Deixando escapar segredos”. Ouço-a inteira sem desviar meus olhos dos dele. Prometi não fugir mais. Ele termina a música e me rouba um beijo. “Beijo: quando um não quer o outro não rouba”. Palavras não eram mais necessárias. Ficamos abraçados até escurecer. No escuro, juntos, até amanhecer.

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*Since I’ve Been Loving You – Led Zeppelin

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Cantarolando lembranças

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Pensei ter esquecido como é bom ir a um show com você. A emoção pueril. A agitação da véspera. O desejo de estar lá. Entusiasmo. Brilho nos olhos. A chegada. Entrar correndo, de mãos dadas.

Sensações e sentidos aguçados.

As luzes se apagam. Sinto o corpo arrepiar. Você me abraça, encaixa seu queixo no meu ombro, suas mãos envolvem minha cintura. O show começa. Enlouquecidos, dançamos, pulamos, gritamos, cantamos. Juntos.

Éramos só você e eu. Como sempre.

Só nós dois, naquele estádio imenso. Sua respiração quente na minha nuca. Como nunca.

“Somos apenas amigos”, “Somos apenas amigos”… eu repetia sem parar… Até a hora do beijo.

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Off on your way, hit the open road
There is magic at your fingers
For the spirit ever lingers
Undemanding contact in your happy solitude
[The Spirit Of Radio – Rush]

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I don’t have faith in faith
I don’t believe in belief
You can call me faithless
I still cling to hope
And I believe in love
And that’s faith enough for me
[Faithless – Rush]

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Certeza doída

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Eu tinha medo de admitir que sentia medo. De admitir que o medo me prendia. A você. A nós. Se ainda havia amor? Sim. O de bem querer. E eu queria o amor de amar. Como se fosse pecado, não me permitia perceber. A falta que me alertava era a mesma que me paralisava. E se eu te perdesse? E se a falta aumentasse?

Mas e se a falta – de atitude – acabasse matando a gente?

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De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado

[De todas as maneiras – Chico]

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Sim, eu te amei de todas as formas. Hoje ainda amo, é um amor diferente. E, por amar, por amor, sabia que merecíamos mais. Que podíamos mais. Nossa história? Não, ela não morreu. Ela é parte de mim. De você. Da gente. E, para não nos perdemos, foi preciso partir. Hoje sei que seremos eu e você, pra sempre, leais a nós mesmos e a vida que tivemos juntos.

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Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente…
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

[Todo o sentimento – Chico]

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A certeza, por ser doída, às vezes, faz-se dúvida. Confunde os sentimentos. Mesmo sabendo que nem tudo se separa, que nem tudo se foi, a gente sangra. Para não manchar as lembranças felizes, a falta faz-se partida. E deixa uma outra certeza não menos doída: a do amor.

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[Eu te amo – Chico]

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Amor despedaçado

O começo foi agitado, intenso. O perigo excitava. Por ser proibido e secreto instigava a imaginação e os sentidos. Era um caso? Um affair? Definitivamente, uma aventura, uma loucura. E, naquele momento, os dois queriam a adrenalina. 

Becos escuros, ruas desertas
Sombras, sussurros, noites e frestas
Frio na espinha, beijos roubados
Sexo e vertigem, amor e pecado

Mas a surpresa de ontem, hoje é corriqueira. Normal. Repetições. Menos surpresas. Rotina. Envolvimento. Sentimentos expostos e compartilhados. Desejos revelados. Vontades que mudam. Expectativas.

Tudo o que um dia
Já foi um motivo
Pra tanto mistério e prazer
Apodreceu o nosso fruto proibido
E eu vim aqui hoje só pra dizer

Apodreceu? Cansou? É preciso mais? Pedir, seria cobrar? Se impor, seria colocar contra a parede? Como dizer? O que falar?

Eu quero te olhar
De um lugar diferente
Eu quero a chave
A chave da porta da frente
Eu quero agora
E eu quero pra sempre

Pronto. Mais claro, impossível. Disse o que queria. O que esperava. Isso não implica perder ou tolher a liberdade, o romance, a paixão, o desejo. Signfica agregar. Compartilhar. Assumir. Ter intimidade. Mas porque o sumiço? Porque a falta de resposta? O que causou a mudança de atitude? Chamadas não atendidas, sem retorno.

Restos e sobras, porta dos fundos
Senhas secretas, sonhos ocultos
Fugas, mentiras, culpas e falhas
Muita espera pra pouca migalha

A ausência e a fuga são as respostas. Resto, sobras não são mais suficientes. Esperou, teve paciência. Não perdeu o controle, nem a razão. Não maltratou. Não mudou. Continuou da mesma maneira. Firme. Forte. Sabendo o que queria. E não era isso. Definitivamente, não era.

 

* “A chave da porta da frente” – Frejat e Leoni


Ai, eu quero, quero tanto…

entregando o coração

“Ai, eu quero, quero tanto
Que você me aceite do jeito que eu sou…”
Cláudio Nucci
 
 
Eu estava te procurando.
Quis te agradar, satisfazer, te completar, ser uma pessoa melhor pra você.
Neste caminho, me perdi.
Eu estava te procurando. E me encontrei.
Hoje, sou uma pessoa melhor. Pra mim.
Agora, não me perco mais. Nem mesmo por você.

Amor [próprio*] para recomeçar

O vestido foi comprado especialmente para aquela noite. Valorizava ainda mais seu corpo, insinuante, sem ser vulgar. A sandália abraçava seu pezinho delicado. Cabelos soltos, levemente rebeldes. Maquiagem suave, porém marcante. O batom delimitava seus lábios grossos e os deixava ainda mais salientes. Por fora, estava pronta. Por dentro, tremia. Hoje, pela primeira vez, iria encontrá-lo desde que terminaram.

– Uau, você está maravilhosa! Estou até com ciúmes. Se ainda estivéssemos juntos, nem deixaria você sair de casa assim, tão, tão… tão linda!

Ela apenas o cumprimentou com um beijo no rosto, fingindo nem dar importância ao comentário. E seguiu.

No começo, sentiu a falta dele ao chegar sozinha à festa. Depois, ficou um pouco desconfortável quando, a cada pessoa que cumprimentava, tinha que ouvir a mesma pergunta: “Vocês terminaram? Que pena, formavam um casal tão lindo! O que aconteceu?”.

Neste dia, ela percebeu o quanto estava sentindo falta… Dele? Não. Dela mesma. E como estava feliz por ter se reencontrado. Aproveitou a festa como há tempos não fazia… dançou, bebeu, conversou, conheceu novas pessoas. Estava se sentindo livre.

Ela havia recuperado sua estima, sua confiança. Aquele sorriso largo e espontâneo de antigamente voltou a seu rosto. E o brilho em seus olhos indicava que era apenas o início… de uma nova e deliciosa fase de sua vida!

O título remete a uma música do Frejat que eu adoro – Amor pra recomeçar

* Mudei o título em homenagem à Sweet e a Luna que completaram meus pensamentos… Espero que tenhamos todos “Amor próprio pra recomeçar”… sempre!