Arquivo para maio, 2011

uma parte

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Você precisou viajar. Mas não conseguia chegar. Estava aflito. Começou uma festa, acho que na sala de embarque. Claro, tudo estava diferente. Você pedia ajuda, você conhecia as pessoas. As pessoas te viam, riam pra você, te ouviam, interagiam com você, mas não escutavam o que você dizia. Elas ouviam só o que queriam. Como se ouvissem só aquilo que viam. Elas te viam bem. E você não estava e você pedia e nada. E cada vez enchia mais. E você mais aflito. Até uma hora em que você parou de procurar ajuda. Entrou na festa. Pareciam zumbis, mas não eram feios. Era uma espécie de aquário. Eu estava do lado de fora, angustiada. Não conseguia te tirar nem te ajudar de lá.

Tinha uma casa, que não era a sua, de entradinha baixa, pintadinha, só que destruída. Não havia mais ninguém. Um relógio na parede, perto de uma cristaleira, ou uma daquelas estantes antigas. Tudo meio desmoronado. Ainda tinham alguns móveis, do estilo de casa de avós, com uns porta retratos e os porta retratos estavam com fotos sem as pessoas; você disse ser por não se lembrar mais deles, dos diferentes.

Apareceu um alguém sarcástico. Era a única pessoa que falava sobre o que estava acontecendo com você, mas esse não te via mais. Era um homem. Eu não sei quem era. Ele dizia que você sabia o porquê. Ele te ensinou tudo. Hoje, tinha o saco roxo, amassado e mole, quando se sentava.

Você tentou quebrar o vidro. Era outra época, muito antiga, não era agora. Era o passado.

O agora eram aquelas pessoas, na festa, celebrando sua morte.

Eu vi como você morreu.

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Bombshells

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Cuddy: You took Vicodin. When you came to my hospital room that night, you were stoned.

(…)

Cuddy: You don’t take Vicodin because you’re scared. You take it so you won’t feel pain. Everything you’ve ever done is to avoid pain. Drugs, sarcasm… keeping everybody at arm’s length so no one can hurt you.

House: As opposed to everyone else in the world who goes looking for pain like it’s buried treasure?

Cuddy: Pain happens when you care. You can’t love someone without making yourself open to their problems, their fears. And you’re not willing to do that.

House: I came to be with you

Cuddy: You weren’t with me. Not really.

House: I wanted to be.

Cuddy: That’s not enough.

House: I can do better.

Cuddy: I don’t think you can. You’ll choose yourself over everybody else because that’s who you are… I’m sorry.

House: No. No. No. No. Don’t.

Cuddy: I thought I could do this.

House: Don’t. Please, don’t.

Cuddy: …Goodbye, House.

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Eu pensei em comentar e explicar a que tudo isso me remete e filosofar…
…mas a intensidade me desorienta…
…deixo para cada um tirar suas próprias conclusões…

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7a temporada – 15o episódio

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O vento de maio…

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… levou-me para visitar dois amigos:

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o Heru_sa – uma parceria deliciosa!

e

a Vampira Dea – comemoração, festa de aniversário!

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Dilema do Prisioneiro

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“Você sabe o que eu penso sobre você!”  (…) … não, não sei. Me diz?

o nosso mundo existe ou eu o criei sozinho?

Eu não preciso virar poema. Diz só pra mim.

Tem um pedaço lanhado, está sagrando ainda; ela mordeu, arrancou e levou. Eu escondo. Comprei um sapato novo, cortei o cabelo, passei batom. Mostro pra você, vem cá… viu como está feio? E ele? Ele foi embora e nem queria ir. Eu o sentia ainda comigo, mas a que vive aqui dentro de mim sabia que ele não estava mais e me contou…  e está doendo tanto… e eu não gosto de pedir… é que está tudo quente, tudo fincando, tudo tão maior e menos claro.

estou com medo que vire pedra. não deixa?

Eu não quero mais brincar de “adivinhar”. Sou péssima nisso e tem a culpa e está escuro.

eu estou aí? faço parte?

mesmo se eu vomitar um coelhinho?

mesmo se o Diabo não encher nossa taça?

mesmo depois que eu te disse que, apesar de muitas pessoas e turmas, poucos eu deixo entrar e que você eu deixei e que você é como se fosse uma parte de mim? eu te assustei?

quem não brinca de usar e maltratar e alfinetar e de cobrar vai pro balaio comum? é onde eu estou?

posso descansar um pouco? promete que o mundo não para?

se eu não gritar, você me ouve?

Eu confio. É que tem dias que tudo se esconde e eu sei que as coisas andam e são vivas… e eu fechei os olhos, tateei, agucei sentidos, esperei, depois busquei e procurei e continuei e me segurei… só que tudo sumiu… daí, eu senti um baque maior… e acho perdi tudo e sei que não me perdi… é que está tão difícil… e, dessa vez, eu não consegui encontrar sozinha… e eu não sinto nada aqui perto, tem tanto barulho, eu estou cansada, assustada e minhas mãos tremem e tem um vazio… e… me diz que não estou louca por continuar andando e por não sair e por não abandonar tudo e por não me afastar e por acreditar que o lugar é diferente mas que tudo [ainda] existe… me ajuda … me diz? … chega mais perto?

eu sei das portas e cadeados e caduques e da ausência e do medo e da descrença e das muitas pessoas e das distrações e da reclusão e dos novos brinquedos … e eu quero… me deixa entrar?

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Quero Quero – Cláudio Nucci

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