Posts com tag “Contribuições e Parcerias

O Mistério do Planeta*

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Desde ontem que me pego pensando em sobre o que escrever e como escrever. Conto? Poema? Crônica? Acho o último gênero, um dos de maior polêmica sobre sua definição, o mais apropriado, pois a mulher traz a polêmica consigo desde os tempos imemoriais. E nesse tipo de texto posso dialogar num tom mais intimista com vocês leitoras, a quem dirijo e dedico esse texto. Começo falando sobre o título, que roubei de uma canção fantástica dos Novos Baianos, mas que nada tem a ver com as linhas que virão mais abaixo, a letra não, mas o título eu julgo ser perfeito, vamos lá. Vindo pro trabalho me lembrei de um filme, na verdade de um pedaço dele, uma fala pra ser mais exato, não sei mais o nome, os atores e do que se trata, apenas que um dos personagens, um senhor excêntrico e que andava nu pela casa mesmo com as filhas já adultas – eram mais ou menos três ou quatro – num dado momento diz em tom altivo e resignado, Mesmo que eu viva duzentos anos ao lado de vocês mulheres, jamais irei entendê-las. Eu devia ter uns oito ou nove anos, e essa fala colou em mim, me intrigou, eu que na época não tinha condições de interpreta-la, e hoje sim, sei exatamente o que ele quis dizer. Desde garoto convivo com mulheres, mãe, irmã – apenas um ano e meio mais jovem – tias, primas, avós, colegas, esposa, namoradas, ficantes etc. Sempre fui amigo de vocês, e sempre procurei observar seu comportamento, mesmo sendo um cara distraído. E sei que não sou capaz de compreendê-las, assim como o personagem do filme. Quando me dei conta disso, ainda com meus vinte e poucos anos, fiquei transtornado, duvidei da existência da felicidade no mundo e de que a mulher é mesmo uma criação de Deus. Ah! os arroubos da juventude… Hoje em dia o que mais me atrai nas mulheres é justamente esse mistério insondável, essa instabilidade emocional e de quereres que mudam mais que as fases da lua. Sim, o não-saber vocês é o que me aproxima da felicidade e de querê-las cada vez mais de lá pra cá. Não há monotonia ao lado de uma mulher, sei porque também tenho amigos homens, e nós somos muito previsíveis, vocês não, há nesse comportamento, que creio eu, foi muito aperfeiçoado desde Eva, uma vocação para dominar sem parecer que estar dominando, de ser forte sem perder a doçura, de ser obstinada sem esquecer da beleza, de ser atendida com o mínimo esforço, às vezes basta um olhar ou um biquinho. E eu poderia ficar escrevendo horas sobre os mais diversos aspectos da feminilidade, que me atraem e me fazem ser um eterno apaixonado pelo sexo oposto, mas hoje quero pensar e louvar apenas a esse mistério. Um brinde a vocês mulheres, outro brinde a esse mistério, que é inato. Continuem me intrigando, me trazendo felicidade, dores de cabeça e a vontade de ser cada vez melhor.

Dedico esse texto às mulheres da minha vida, Mãe, Irmã e Sobrinha-afilhada. Dedico à minha futura esposa, que até agora também é um grande mistério. E às leitoras que me incentivaram a escrevê-lo e às que não puderam incentivar mas agora me leem, misteriosamente.

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*Texto de André Salviano pra celebrar o dia de hoje. Feliz Dia Internacional da Mulher.

André Salviano – um admirador da alma feminina [e do corpo idem], como ele mesmo diz – é poeta. E um eterno apaixonado. Escreve na Confraria dos Trouxas e no 4 pecados.


Jardim inchado de silêncio *

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foto: arquivo pessoal

“… tempo, essa volúpia de fazer sumir sem trégua…”
Carlos Nejar

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Minha mania de contar esquinas se perdeu de você. Quantas, só hoje, dobraram seu caminho?

Daqui, consigo ainda imaginá-la. Com um sapatinho boneca sem salto, cabelo solto e meio molhado, vestidinho leve, sacola de compras. A vontade que me dá, hoje, de ter aproveitado, no ontem, esses passeios contigo me consome. Nunca fui. Controlava seu trajeto, engaiolava seu tempo. Sentia-me seguro na insegurança que te impingia.

Fiz nossa relação encruzilhar-se com a vida. Sem te dar opção.

Foi numa esquina que de mim você se desvencilhou.

Aquele dia não seria de mercado. Embora eu precisasse de tanta coisa! A lista que eu havia feito ficou sobre a cômoda, ao lado da chave. A sacola nem saiu do armário. Eu não reparei. Tão cega era minha certeza desleixada.

Você andou à revelia, suponho. Talvez, tenha comprado um livro e com ele sentado-se em um café não muito longe de casa. Sua atenção insistia em desviar-se da ficção, sem controle. Era vida que você buscava. Desde o começo. Meu medo sempre foi que você a encontrasse. Quase posso sentir o momento do trincar: você percebeu a redoma que minha obsessão medrosa transvestida de amor criou para te sufocar e decidiu-se. Nem pedaço sobrou.

Um longo suspiro, como o que deve ter selado sua liberdade, sela hoje minha prisão. Esforço-me para sentir um traço ainda que longínquo do seu perfume pela casa, nas roupas que ainda são suas, mas já não te vestem. Encontro-o, embaçado, sujo e confuso lá nos fundos. No seu jardim. A única parte da casa que era sua e só sua. Você cuidava dele como cuidava de mim e eu nunca aceitei te dividir; convidava-me a fazer parte dele e eu nunca quis. Estava ocupado demais em nunca te perder.

Hoje, seu jardim é minha casa. Cuido dele como, antes, não cuidei de você. As flores e até frutos, quem diria!, retribuem meu carinho ao te trazerem de volta para mim em forma de cor, cheiro, sabor. Até a textura aveludada da sua pele consigo sentir em cada pétala que toco. Tuas palavras antes tão abundantes e nunca ouvidas escureceram-se, enterraram-se aqui e por mim são veladas.

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* Texto originalmente publicado na Confraria de verão.

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A viagem

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Um amigo, que a cada dia se torna mais querido, muito bem resumiu: “adoro tornar reais as loucuras minhas e alheias”.

A Mi fez isso: acreditou na minha bagunçada loucura gravada, às pressa no celular, em meio a curvas, crendices e delírios e tornou-a real.

Obrigada, Mirian!

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Lembro ainda hoje, assim como me lembrarei pela eternidade das eternidades, meu irmão berrar.

– Carlão! Carlão! – e daí ele largar sua bicicleta entre o meio fio da estrada e a própria estrada.

O carro que me atropelou parou, a mulher tremia.

– Eu não o vi… – gaguejava ela, soluçante. Naquela curva ninguém via ninguém e, pelo jeito, ela devia estar brigando com os dois pivetes que olhavam assustados pela janela traseira do carro.

Eu quis ficar para ver o que aconteceria, já que aconteceu, nada como ver o que os outros vão fazer sem você estar por ali. Aliás, estando, mas não estando.

É um porre, vou dizer! Tudo demora muito. Muito mais que uma eternidade. Porque eternidade você sabe o que é, mas quando se espera uma coisa o mais rápido possível, esse mais rápido possível é uma eternidade dolorida, sufocante, impotente.

Meu irmão chorava, mal conseguia ligar para minha mãe, dizendo que achava que eu tinha morrido na estrada. Para falar a verdade, a mulher quase não tinha culpa, porque eu estava falando no celular enquanto pedalava pela estrada e devo ter entrado na frente da coitada e ela vai ter que entrar num processo por um crime culposo – ela não tem culpa, mas matou. Culposo… Por que advogado complica as coisas? Se ela tem culpa é culposo. Mas daí fiquei sabendo que tem o doloso, que é aquele que a pessoa teve intenção de provocar o crime, o assassinato, o tal dolo. Imagina! Aquele doce de mulher querer me matar, justo eu, que nem conhecia a pobre coitada, que brigava com aqueles dois pivetes! Se fosse ela matava aqueles dois, isso sim!

Falando nisso, nessa eternidade eterna, conheci a Joaninha. Bom, eu a chamo de Joaninha porque ela não lembra o nome dela direito. Morreu quando tinha os seus dois anos. Tá lá a sua cruz com uma fitinha branca. Ainda chupa o dedo esperando a mamãe. Mas a mãe ela subiu tão logo morreu. Joaninha, criança que era, não viu e não foi atrás. Ficou aturdida e, me vendo, veio chorando querendo a mamãe.  Então, normalmente ficamos nós dois olhando os carros passarem apressados, as bicicletas ainda bambeando porque os moleques ainda cismam em ficar falando em seus celulares. Já vi até meu irmão passando por aqui outro dia – bem mais velho! Fiquei sabendo que se casou, finalmente, com a Cristina, aquela gostosona. Ainda bem que estou morto, porque senão ele me mataria com um comentário desses.

Outro dia passou um caminhão da Coca- Cola. Joaninha disse “Coca”! Eu fiquei feliz da vida! É… porque além de mamãe, ela só falava o meu nome e mais nada. Sabe, acho que fica desses traumas… Agora também fala Coca. Quem sabe, se andarmos por aí ela descobre alguma outra palavra perdida de seu parco vocabulário.

Conheci também a Lídia. Essa era uma puta. Daquelas! Só que o caminhão não viu. Ela morre – redundância idiota – de ódio por conta disso. Como é que um caminhão não consegue reconhecer uma prostituta? Pior! Passa, mata e vai embora! Nem viu!

Bom, eu acho que ele iria morrer, senão naquela noite mesmo, talvez noutra, porque ele devia estar quase dormindo, o coitado.

Mas aqui tudo é muito calmo, talvez uma réplica de um paraíso feito especialmente para a gente ficar aqui na terra enquanto  não aparece outra chance da gente subir, sei lá para onde. Lá embaixo tem alguma coisa messiânica, que nunca me interessou, mas, sinceramente, não gostaria de levar Joaninha e Lídia num lugar como esses. Sei lá se eles nos achariam seres do mal ou como resposta de uma vinda de paraíso messiânico… São coisas que passam pela minha cabeça…

Eternidade é coisa boa… Dá para pensar em tanta coisa… Mas às vezes cansa. Lídia saiu agora com Joaninha. Foram para a floresta procurar algum brinquedinho que talvez fosse de Joaninha. Já fizeram isso milhões de vezes e nunca acharam nada.

É… Eternidade é um porre.

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Na noite do feriado da independência, a dependência de amor

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Não escrevi essa carta. Embora eu pudesse ter dito ou sido alvo de muitos trechos. E, por isso, pedi permissão à autora para publicar aqui.

Se alguém se encontrar nela, é enredo de novela, não há uma só indireta para ninguém. 

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Naquele dia em que te conheci, enxerguei de cara, nos seus olhos, uma pessoa boa. Já te disse isso.

Não mudei de opinião. Não acho que você não o seja. Aos poucos fomos conversando e enxerguei um pouco mais. Um homem bonito, inteligente, extrovertido, cativante.
Um olhar brilhante, um sorriso sincero. Alguém com quem eu gostava de dividir os sorrisos, as histórias, as Stellas e as bobagens.
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Alguém de quem eu fui, aos poucos, aprendendo a querer saber mais… como andava a vida, as filhas, o mestrado, o trabalho, o jiu-jitsu…
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Alguém a quem eu via como um merecedor da felicidade, mas um tanto perdido no passado, nas coisas que acabaram e que, ainda assim, continuam firmes na cabeça e no coração, pelo simples medo de perdê-las de vez… pelo simples receio de trocar o “certo”, mesmo que tão incerto, pelo “duvidoso”, ainda que tão certo este fosse.
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Aos poucos, fui percebendo que você via a vida de forma parecida com a que eu mesma a enxergo. Alguém que, apesar de mostrar-se um tanto egocêntrico, (ao falar mais que ouvir, falando mais de si que querendo saber de mim; ao procurar-me somente quando sentia vontade ou tinha interesse, sem, no entanto, sentir-se na obrigação de atender-me quando era eu quem o procurava, ou de retornar mensagens e ligações perdidas, como eu mesma sempre fiz com você), ainda assim, fui vendo-o como alguém que tem diversas qualidades, que compensavam até mesmo esses defeitos que eu, tantas vezes, em outras ocasiões, já considerei inaceitáveis e que sempre me deixaram meio sem chão. Fui compreendendo que era seu jeito e que nunca foi por mal.
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Fui enxergando o quanto havia em comum. O quanto as conversam rendiam e os corpos combinavam. O quanto os olhos brilhavam e as bocas queriam. E, apesar do eterno jogo de gato e rato, onde o meu sumiço sempre foi a “isca” para a sua procura, ao mesmo passo em que a minha procura era a certeza da sua fuga, ainda assim, fui acreditando que poderíamos ir nos aproximando cada vez mais, e que eu poderia, aos poucos, ir te fazendo acreditar que a vida está na sua frente, só basta que você abra os olhos para enxergar.
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E não digo isso falando de nós. Poderia sim, ser. Ou não. Mas falo do geral. Falo do que você ainda vai viver, do que a vida ainda vai colocar na sua frente, e talvez você não enxergue, simplesmente porque estava olhando pra trás.
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Imaginava que você fosse alguém que, com tanta vida vivida, com tanta ferida na alma, tivesse a maturidade de discernir entre o verdadeiro e o falso, reconhecer intenções e respeitar sentimentos. E pessoas.
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O via, pelo nosso pouco convívio, como um homem maduro, que, mesmo que pudesse ser “pilhado” por pessoas de menos maturidade, soubesse portar-se de modo a zelar por algo que (ao menos ao meu ver) foi bom e poderia ser ainda melhor. Se não um relacionamento homem x mulher, ao menos uma relação de amizade, que poderia crescer como algo verdadeiro, sincero, leal e saudável.
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Sinceramente, não consegui compreender suas atitudes, nem tampouco a falta delas. Não consegui entender como se demonstra interesse num momento, para, no instante seguinte, aparentar desinteresse e, ainda mais que isso, desconsideração. Não consegui entender como pôde ser tão maduro em dados momentos, para, em outros, mostrar-se tão infantil. Não consegui entender pra quê tanto contato, se a intenção jamais tiver sido envolver-se.
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Se apenas queria o corpo, deveria ter sido franco. Eu te diria que não costumo entregar-me somente de corpo, e nós pouparíamos tempo e decepção.
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E se a intenção não era somente esta, então, por favor, me explica. Por quê eu sinceramente gostaria de saber e de poder continuar a acreditar que não me doei em vão.
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Me desculpe pela extensão das linhas, e pelo tocar em feridas que talvez ainda te doam. Mas te escrevo por mim, pra me livrar do que grita aqui dentro, independentemente de saber se um dia saberei da verdade, ou não.
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Deletei seus números de telefone e suas mensagens. Te excluí das redes sociais e do msn. E talvez até pareça, mas não o fiz por pirraça ou infantilidade. O fiz somente para que eu aprenda a não ceder aos meus impulsos de te procurar. Se um dia ainda quiser conversar, desde que seja de forma franca, você sabe como me achar.
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Se cuida e pensa um pouco.

Acho que você sabe, mas nunca é demais dizer:
só quero que fique bem.

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eu conheço seus cantos, eu te conto pelos contos

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Para me envidar e provar a mim mesma que estava errada tentei namorá-lo. Até que o cheiro nauseante dele me convenceu do contrário. Não, não era o perfume. Ele mudou. Não adiantou.

Como lembranças e gosto, meus relacionamentos se guiam pelo cheiro.

O último exalava flores. O aroma da magnólia era um convite. O da ageratum purificou e limpou odores passados. As acácias e miosótis trouxeram o amor e a fidelidade. Nunca mais senti um ciclame, vocês sabem, símbolo olente do ciúme. Vivíamos com o reconhecimento das dálias, com o amor das acácias, com a superação das petúnias, com a tranquilidade das violetas.

Até que, sem uma flor de lis se quer, ele me deu um copo de leite.

Sem ele, perdi o faro, meu olfato ficou confuso, sujo, viciado.

Como o hálito do fogo que compromete o que lambe, o dele impregnou-se em tudo. Assim eu pensava.

Hoje, entendi que ele está em mim. Infiltrado em cada poro, em minhas entranhas. É o meu cheiro que me lembra dele. O cheiro da minha pele, do meu suor, do meu sangue.

Como os cactos, minhas folhas e pétalas reduziram-se a espinhos que, além de afastar predadores, rasgam minha pele e me tornam uma flor sem perfume. Não amo mais. Não sei o que é paladar. Não tenho prazer. Mas ainda me lembro dele.

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para você, que provocou a inspiração.

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O vento de maio…

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… levou-me para visitar dois amigos:

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o Heru_sa – uma parceria deliciosa!

e

a Vampira Dea – comemoração, festa de aniversário!

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O Álibi e a Lábia

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O Fernando [Coluna Fantasma] conseguiu imaginar um dos desfechos mais assustadores. Acredito que não por experiência própria e, sim, pela mais pura inspiração...

Se chegou direto aqui, sabia como tudo começou e acompanhe Heru, Mirian e Luna e seus desfechos.

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O Álibi e a Lábia

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– Hahahahahahaha!
– Romualdo!
– Hahahaha… Hahaha… Espere, ai, ai, meu abdome… Hahahaha!
– Qual a graça, Romualdo? Posso saber?
– Caramba, Clarimunda, essa história é tão esdrúxula, que me pegou de surpresa. Tive de rir.
– Como assim? Ô Romualdo, anda logo, desembucha!
– Clarimunda, você vai acreditar em uma colega do grupo espiritual que se diz sua amiga ou em mim, que nunca neguei ter sido canalha, mas que enfim, me encontrei no teu regaço?
– Romualdo, não me enrola!
– Hahahahahaha, não tô enrolando, meu bem.
– Dá pra parar de rir e me explicar isso?
– Linda, a risada é companheira de quem não teme o futuro. Pergunte onde estive pra aquele seu amigo, de nome escroto, que você me apresentou dia desses. Rosildo, Argildo…
– O Ronildo?
– Isso. Pergunte a ele.
– Mas Ronildo mora no Rio.
– Exatamente. Fui cedo pra lá hoje, tive reunião de urgência. Eu o encontrei num sushi, no almoço. Ligue pra ele.
– Er… Quer dizer que, bom, é, tá! Amanhã eu ligo, agora já está tarde!
– Meu bem…
– Que é?
– Namora comigo?
– (Ai, que lindo!) Não sei não, Romualdo! Você é muito galinha! Aposto que essa era a pendência que você tinha pra resolver!
– Claro que não. E eu fui galinha, pretérito. Mas te encontrei. Tô te pedindo em namoro justamente por isso: é um voto de confiança em nós. Ou acha que eu o faria se eu quisesse uma despedida de solteiro, com aspas? Pra quê? Você nunca me cobrou status de relacionamento. Eu poderia ter essa despedida e depois começar a te namorar. Mas não quero. Você é muito especial, meu amor.
– (Mas é um canalha. E um canalha tão fofo…) Humpf! Sei… Amanhã a gente conversa, tá bem?
– Tudo bem, meu amor. Se sonhar consigo mesma, fui eu, que desejei que você dormisse com os anjos.
– Beijo, tchau.

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– Alô? Juvenal?
– Fala, Romualdo!
– Meu irmão, quase me fodi agora.
– O que rolou?
– Lembra daquela fela da puta que te contei, que se joga em cima de mim, lá no grupo espiritual? Acredita que ela ligou pra minha namoradinha, futura namorada, a Clarimunda, e disse que eu a tinha comido hoje?
– Puta merda! E aí?
– E aí que ela se deu mal, porque hoje estive no Rio o dia todo. E por sorte, encontrei um amigo de Clarimunda lá.
– E você contou isso pra Clarimunda? E aí, e aí?
– Contei, ela ficou sem jeito. Mas Clarimunda é dessas que jamais dão o braço a torcer. Daí, tive de pedi-la em namoro pra reverter a situação e não deixar isso começar a feder, ela desconfiar demais.
– Fez o certo. Mulher que é desconfiada demais, vai atrás e só encontra o que não deve.
– Pior que eu precisava protelar só mais uma semaninha esse pedido.
– É, dos males, o menor. Agora, coisa de louco isso dessa menina ligar falando essas coisas pra Clarimunda, hein?
– Absurdo, não?
– Sem dúvida. Ela deve ter alguma mágoa de você, ninguém faz isso à tôa. É meio doentio.
– …
– Romualdo, você comeu essa louca?
– Comi. Mas na semana passada.
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Romualdo , você me mata de rir…  E agora? Qual o próximo passo?
– Serei cauteloso com Arabela.
– Que Arabela?
– Outra gata lá do grupo espiritual que tá facilitando e que eu tô doido pra comer…

Fernando Ramos

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